08 de julho de 2026
Geral

FUNDO DE COMBATE À POBREZA

Áureo Correa de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Dias atrás, assisti pela televisão, o senador Antonio Carlos Magalhães fazendo apologia do Fundo de Combate à Pobreza; aliás, idéia desse controvertido parlamentar.

Para quem não se der ao trabalho de fazer uma rápida análise do assunto, poderá parecer até que isto seria o caminho da salvação nacional.

O problema, contudo, não se resume apenas em botar uma idéia no papel; aprová-la e transformá-la em lei. O custo do projeto também não impede a sua execução; uma vez que, para não se contrariar interesses de certos caciques da política, a verba sempre surge de alguma parte. Nem que para isto precise espremer o contribuinte, deixando-o a exaurir sangue, e só de cuecas.

Nesse sentido, nossos dirigentes são exímios. A dificuldade é encontrar no elenco político-nacional, cidadãos capazes, honestos, idealistas, despreendidos, patriotas e probos; a fim de pôr em prática o referido programa, dirigi-lo e fiscalizá-lo.

Se não colocarmos à frente dessas realizações, pessoas honestas, de caráter ilibado, homens com H maiúsculo, o fracasso será inevitável. Quando a administração anuncia um programa desse tipo, onde deverão ser empregados milhões de reais, surge por encanto, um bando de marsupiais, mascarados de cidadãos honestos, a pleitear a indicação para os mais cobiçados cargos.

De imediato o programa já se transforma em cabide de empregos.

Os políticos ou coronéis dão um jeitinho de colocar logo sua esposa, em uma secretaria qualquer. Depois, vêm os filhos, genros, noras, irmãos, sobrinhos. Casos há, em que até os pais, mesmo nonagenários, são distinguidos com cargos, altamente remunerados. Dizem que sua idade provecta demonstra experiência. Contudo, só os nonos possuem esse cabedal de experiência; os demais trabalhadores, após os cinqüenta anos, já são considerados como pessoas inúteis.

Aí, então, forma-se a caterva, constituída pelo raposão, assessorado pelos marsupiaizinhos. Na partilha dos bens do galinheiro, deixam somente as penas dos galináceos consumidos.

Programas idênticos ao Fundo de Combate à Pobreza, tivemos, ao serem lançados a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - Sudam; e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - Sudene. Programas estes, muito bem arquitetados em seus contextos, assim como eficientemente alicerçados.

Dessa maneira, se fossem estes, honestamente aplicados e dirigidos, não haveria dúvida de que o Norte e o Nordeste do Brasil, iriam se transformar em maravilhosos celeiros; vindo talvez suplantar o Sul e Sudeste, com reflexo sobre o centro-oeste brasileiro.

Seria, na realidade, a redenção dos habitantes dessas regiões, e mesmo da própria Nação brasileira. Deveríamos, hoje, estar colhendo os louros desses dois monumentais programas; contudo, estamos carpindo o amargor da decepção, da revolta e da desonra. Tudo por culpa de certos polichinelos infiltrados na política nacional, travestidos de homens públicos, que ratearam entre famílias influentes, incluindo as suas próprias, de maneira desavergonhada, criminosa e afrontosa, os recursos de milhões de reais, destinados a ambos os programas.

Hoje, essas ratazanas de banho, tanto no norte, como no Nordeste, pavoneiam-se como políticos intocáveis, em suas mansões cinematográficas à beira dos igarapés; ou em suas suntuosas residências nas mais belas praias do Nordeste. São os mesmos, que por trás dos bastidores, se beneficiaram com os desvios de verbas da Sudam e Sudene. Gente que fez fortuna do dia para a noite, na política, e no comando de programas regionais de desenvolvimento.

Desses, alguns continuam dando cartas na política e administração de seus próprios Estados. A maioria, contudo, deu preferência à política nacional. Permanecem no Congresso, tentando o lançamento de novos programas, através dos quais, possam tirar proveito político-financeiro.

São essas pedras da política nacional, que ao rolarem de suas regiões para o Planalto Central, continuam se opondo como verdadeiros obstáculos ao desenvolvimento e progresso de nossa Nação.

Na realidade não serem sequer às suas regiões, porque, são verdadeiras piranhas, a devorar sua própria gente.

Daí deduzir-se que o tal Fundo de Combate à Pobreza irá ter o mesmo destino da Sudene e da Sudam. (Áureo Correa de Souza - RG: 3.538.605).