O canal, que está no ar 24 horas por dia, fundamenta suas atividades no tripé educação, cultura e cidadania
O Canal Universitário, formado pelas TV USC (da Universidade do Sagrado Coração), TV Unip (da Universidade Paulista) e TV FIB (das Faculdades Integradas de Bauru), e exibido no canal 14 da NET, completará um ano de atividades no dia 19 de maio.
O Canal Universitário está no ar 24 horas por dia e conta com uma grade de programação composta por programas de cada uma das TVs que o compõe e, além disso, retransmite a Rede Minas de Televisão. De acordo com Geraldo Magela, diretor da TV Unip, cada TV é responsável pela sua programação. A programação é feita por cada TV. Além disso, o Canal produz, hoje, uma série de informativos que inclui agenda, cinema, previsão do tempo, empregos e atividades de caráter cultural, que são colocados no ar antes e após a entrada no ar dos programas de cada TV, disse Magela.
A grade de programação atual é composta por cinco blocos de uma hora meia de programação diária, totalizando nove horas de produção local, entre programas e prestação de serviços. O restante das horas diárias é preenchido pela retransmissão da Rede Minas de Televisão.
De acordo com Luís Victorelli, diretor da TV USC, o objetivo do Canal Universitário é criar uma atividade voltada para educação, cultura e cidadania. É o tripé da nossa filosofia de trabalho e a nossa linha editorial. É o que norteia a nossa produção e tem sido a tônica do Canal. Felizmente, temos conseguido isso sem problemas, afirma.
Ele acrescenta que o público-alvo do canal não é o universitário, ainda que muitas pessoas acreditem que sim. O universitário é consumidor do nosso produto tanto quanto um empresário, um aposentado, um jovem que queira buscar lá uma informação com conteúdo, garante.
Outra característica do Canal são as equipes de trabalho profissionais. Segundo Magela, não há participação de alunos na produção e realização dos programas. Ou seja, os produtos não são frutos do aprendizado dos universitários. As TVs e o Canal Universitário não são laboratórios de televisão. São TVs profissionais, produzidas profissionalmente e com a responsabilidade de uma atividade de televisão profissional, salienta.
Os diferentes perfis das três TVs, sempre com a preocupação de tornar agradável um conteúdo de qualidade, resultou em uma linha de programação diferente, de acordo com o diretor da TV Unip. Planejadamente, ou não, cada instituição acabou optando por uma linha de programação diferente. Naturalmente, cada uma está apostando em um perfil. Uma complementa a outra na nossa linha de trabalho, observa Magela.
Entre os princípios do Canal Universitário está a posição de não veicular propagandas comerciais, ainda que os apoios culturais sejam aceitos. Nós fazemos questão de não envolver propagandas comerciais explícitas. São princípios nossos, embora a lei de TV a cabo não faça menção a isso, garante Victorelli.
Resultados
Após um ano de atividades, os responsáveis pelo Canal Universitário avaliam que a produção colocada no ar diariamente atingiu as expectativas da época de seu lançamento, com programas de alta qualidade técnica e de conteúdo. Começamos com uma expectativa positiva da própria comunidade sobre a entrada do canal no ar. Enquanto canal que congrega a produção de televisão das três universidades envolvidas, depois de um ano, avaliamos que conseguimos atender a essa expectativa sobre o que seria o Canal Universitário, opina Magela.
Ainda que não haja pesquisas sobre audiência, Magela garante que o espaço conquistado pelo Canal Universitário em um ano de existência é de grande relevância, atualmente. Nós saímos do zero e percebemos um crescimento da audiência pelo próprio retorno que recebemos de pessoas que ligam, que falam da programação, que perguntam sobre os programas. Hoje, existe um envolvimento da comunidade em termos do que as TVs colocam no ar. Nós conseguimos marcar a nossa existência enquanto televisão na cidade de Bauru, disse.
Para atingir o patamar atual de aceitação perante a população de Bauru, no entanto, alguns obstáculos tiveram que ser vencidos, principalmente no que se refere aos termos empresariais. A mudança de visão de instituições de ensino para emissoras de televisão foi um grande passo na história do Canal, de acordo com Ranieri Neto. A finalidade da instituição de ensino não é produzir televisão. É dar ensino, extensão e pesquisa. As instituições precisaram aprender a ser televisões, aceitar essa nova realidade, esclarece.
O processo de convivência entre as três TVs contou, ainda, com o amadurecimento ideológico por parte das instituições, que não utilizam as televisões como instrumento de auto-promoção. A universidade teria que entender a TV não como uma forma de divulgar a universidade, mas a TV como um instrumento de divulgação de educação, ciência e cultura. Nenhuma das três utiliza o canal como forma de divulgação da universidade, afirma o diretor da TV Unip.
História
O Canal Universitário surgiu a partir da Lei Federal número 8.977, de 1995, e teve como inspiração experiências em andamento dos canais comunitários de São Paulo e Bauru. A lei estabelece que toda operadora de TV a cabo, no âmbito de sua localização, deve oferecer canais para a comunidade. Um deles é o universitário. A lei permite isso. A operadora de TV a cabo na cidade, portanto, é obrigada a disponibilizar um canal para as universidades, esclarece Victorelli.
O diretor da TV USC acrescenta que o embrião do Canal Universitário foi a TV Centrinho. Nós, universidades, buscamos esse espaço permitido por lei. Foi o que nasceu com a TV Centrinho, afirma.
Num primeiro momento, outras universidades instaladas em Bauru foram convocadas para integrar o projeto do Canal Universitário. Nós tivemos a Unesp, a ITE, a USP, a Unip, a FIB e a USC para a criação do canal. Foram dois anos para a configuração do estatuto e elaboração de idéias e projetos para o futuro canal, além do envolvimento político, conta Victorelli.
No entanto, a Unesp, a ITE e a USP não compuseram o grupo por questões administrativas internas, de acordo com os responsáveis pelo Canal Universitário.
Portal
No próximo dia 17, na ocasião da comemoração de um ano de atividades do Canal Universitário, será lançado na Internet o portal do Canal Universitário, cujo site é www.cnub.com.br. Ele deve contar com informações sobre o canal, a programação, a filosofia de trabalho e as respectivas propostas. O trabalho é uma parceria com a Kaisen Net Provider.
TV FIB
A TV FIB estreou no ano passado, com uma programação emprestada, de acordo com o diretor José Ranieri Neto. No começo do Canal Universitário, nós retransmitimos a programação da TV Unisa (da Universidade de Santo Amaro), de São Paulo, e, também, programas da TV Unifesp (da Universidade Federal de São Paulo). Nós ainda não tínhamos equipamentos para produzir, conta Ranieri Neto.
No entanto, desde o início, a TV apostou numa linha diversa da acadêmica. Nós não queríamos dar a entender que a TV trazia temas só ligados à universidade, mas sim que a TV está ligada às coisas da cidade de Bauru, observa o diretor.
Em meados do segundo semestre do ano passado, a TV FIB adquiriu equipamentos digitais para captação e edição de imagens e entrou no ar com programação própria na cobertura da Grand Expo Bauru 2000.
Atualmente, ela conta com três programas produzidos mensalmente. Nós ainda não temos estúdio. Todos os nossos programas são feitos com gravações externas. Mas, a partir do mês que vem, nosso estúdio estará pronto e colocaremos no ar, pelo menos, mais dois programas diferentes, garante Ranieri Neto.
A TV FIB veicula, atualmente, três programas. Entre eles, está o Generalidades, que é um debate sobre temas atuais. Não é um programa engessado, expõe o diretor.
O Circuito Universitário, outra produção da TV FIB, leva ao espectador entrevistas realizadas em bares, restaurantes e casas noturnas da cidade.
Já o Conheça Bauru é um programa que tem como objetivo apresentar, principalmente, os pontos turísticos e as atividades de lazer encontradas em Bauru.
TV Unip
A TV Unip tem um grupo de produção baseado na Capital do Estado de São Paulo - conta com uma equipe móvel que se desloca para as cidades onde há necessidade de captar imagens para posterior veiculação. Em função do próprio tamanho da universidade, nós não teríamos como montar uma produtora em cada uma das universidades onde existe Canal Universitário com a participação da Unip, esclarece Geraldo Magela, diretor da TV e da Universidade.
A Unip coloca no Canal Universitário três programas inéditos por semana. Dois deles são de entrevistas voltadas para a área de saúde, cujo entrevistador é o profissional Dráuzio Varela. O objetivo do programa Dr. Dráuzio Varela Pergunta é trazer para o público leigo questões de saúde pública e informações sobre doenças, de tal forma que as pessoas tenham conhecimento desses problemas. É base da TV Unip, afirma o diretor da TV.
Outro programa que consta na grade da TV Unip é o Unip Atualidades, de cunho jornalístico. É um programa em que nós procuramos trazer profissionais de diversos segmentos para falar da sua profissão, das perspectivas do mercado profissional, da sua atividade enquanto atividade econômica. Além disso, o programa é usado para que a universidade possa divulgar sua produção científica, disse.
TV USC
A TV USC nasceu com a história do Canal Universitário de Bauru, associada à TV Centrinho, de acordo com Luís Victorelli. Atualmente, ela realiza programas de cunho científico e educacional, por meio do projeto ScienceNet. A proposta da TV USC, hoje, é de ser um canal de debate e discussão entre o conhecimento do mundo universitário e a sociedade na qual ele está inserido. Ou seja, queremos ser o elo de ligação entre a academia e o grande público, observa Victorelli.
Ele acrescenta que a linha editorial da TV é bastante democrática, não havendo prioridades na escolha dos temas e visando sempre o aprimoramento técnico e de conteúdo. O grande desafio da TV USC é decodificar esse caldo de conhecimento para uma linguagem que as pessoas entendam. Para que isso aconteça, nós temos uma linha de produção na qual não há prioridades específicas, garante.
O carro-chefe de sua programação é a produção jornalística, já que conta com um programa de entrevistas, um programa de debate de idéias e grandes reportagens. Pretendemos desenvolver uma grade de programação em que sejam contemplados programas específicos de diferentes áreas. Por exemplo, teríamos programas nas áreas de literatura, comportamento, esportes, infantil, história etc, disse.
Uma peculiaridade no perfil da TV USC seria o tom experimental de sua programação, de acordo com Victorelli. Queremos criar não apenas novas atrações, repetindo o que existe dentro da televisão, mas também ousar, proporcionar novas linguagens para se fazer televisão. Queremos fazer televisão para sermos assistidos, para provocar e participar do processo de igual para igual com outras emissoras, apesar das nossa limitações, enfatiza.