08 de julho de 2026
Geral

Acidente doméstico: problema a ser combatido

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Eles acontecem todos os dias, com maior ou menor gravidade, e fazem das crianças e idosos suas principais vítimas. Jornais, revistas e emissoras de TV deixam de lado a conduta ineditista para dedicar, de tempos em tempos, longas matérias ao tema que, apesar de já muito explorado, continua atual.

Os acidentes domésticos variam conforme a época, mas apresentam índices significativos dentros dos atendimentos realizados pelo Corpo de Bombeiros e Prontos-Socorros. A não-informatização destes órgãos e a própria praxe de não especificarem esse tipo de ocorrência, entretanto, mascaram os verdadeiros números, bem como deixam imprecisas informações sobre os locais de maior incidência.

De certo, sabe-se que metade dos atendimentos de urgência realizados no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) de Bauru socorre acidentados em casa. Já os Prontos-Socorros Municipais não têm como computá-los, uma vez que acidentes domésticos e de trânsito, lesões de qualquer natureza e traumas em geral recebem a mesma codificação nos livros de registros.

O Corpo de Bombeiros mantém uma certa especificação das ocorrências que atende, mas nada que possibilite um levantamento exato dos incidentes mais comuns que ocorrem dentro de casa. Segundo dados fornecidos pela corporação, os acidentes pessoais (ferimentos, traumas, queimaduras, etc) somam em torno de 6% do total de ocorrências. As quedas, também consideradas acidentes domésticos, perfazem aproximadamente 30% dos chamados. Juntos, ambos os casos apresentam um percentual expressivo dentro de um universo que também inclui situações de aborto, agressão, demência e tentativas de suicídio.

Ainda que constantes e graves em grande parte dos casos, os acidentes domésticos recebem pouca atenção dos órgãos públicos, tanto que são raros os programas destinados à prevenção e orientação. Seguindo uma iniciativa do comando da corporação, o Corpo de Bombeiros de Bauru lançou-se à frente de uma iniciativa inédita em âmbito municipal. Desde o início deste mês, seus homens estão realizando palestras educativas a fim de formar agentes multiplicadores. Um bom exemplo a ser seguido por outros organismos.

O cirurgião pediátrico Luiz Carlos Monteiro, especialista em atender crianças vítimas de acidentes domésticos e de trânsito, acha que a própria Secretaria Municipal de Saúde, hoje responsável por todas as ações desenvolvidas no setor, poderia abraçar a causa de uma maneira mais incisiva. Uma das sugestões que ele faz, por exemplo, é para que os agentes de saúde que realizam a fiscalização domiciliar - em busca dos criadouros do mosquito Aedes aegypti - verifiquem também a presença de tanques de roupas não fixados no chão. Um trabalho simples, na opinião dele, que pode evitar a queda desse tanques sobre crianças, um acidente que todos os anos costuma vitimar de dois a três pequeninos.

Os programas de prevenção, por sinal, deveriam ser criados e direcionados, particularmente, às comunidades dos bairros carentes, onde o grau de informação é menor e as condições de vida, mais precárias. A síndrome do tanque, por exemplo, se verifica exclusivamente em casas humildes, onde a despesa do cimento para soldar a pia ao solo acaba como um luxo que pode esperar na lista de prioridades. Mais uma vez, a injustiça social abre canal para a ocorrência de tragédias.

Carentes e não carentes, no entanto, os pais têm que ficar atentos com a proximidade dos festejos juninos. Seguido dos acidentes de verão, os fogos de artifício aparecem na lista dos perigos da idade infantil e esse tipo de tragédia não faz distinção entre pobres e ricos. Todos os anos, invariavelmente, pelo menos uma criança bauruense acaba perdendo partes da mão ou machucando o rosto por conta do manuseio de bombas potentes. Como o comércio de fogos de artifício é liberado, aos pais não resta outra alternativa senão proibi-los veementemente. Em relação aos fogos de artifício, precisamos ser drásticos e bani-los de uma vez por todas de nossas vidas, sentencia Luiz Carlos Monteiro. Fazer marcação cerrada em cima dos filhos nas festas juninas também não é exagero, uma vez que as bombas surgem de todos os cantos.

Praticamente todos os acidentes domésticos são evitáveis, razão pela qual se faz necessária a criação de programas educativos para suprir a falta de informação e deixar as comunidades carentes menos vulneráveis. Nesse sentido, as associações de bairros e centros comunitários têm uma missão a mais a ser encarada. Só basta um pouco de vontade para transmitir o sério e importante recado a todos.

Ocorrências dos Bombeiros em 2000

Região Norte

Aborto - 04Acidente pessoal - 33Agressão - 57Casos clínicos - 244Demência - 00Parturientes - 24Queda - 168Tentativa de suicídio - 20Total - 550

Região Sul

Aborto - 02Acidente pessoal - 27Agressão - 52Casos clínicos - 188Demência - 01Parturientes - 16Queda - 143Tentativa de suicídio - 19Total - 448

Região Leste

Aborto - 04Acidente pessoal - 38Agressão - 30Casos clínicos - 183Demência - 00Parturientes - 24Queda - 101Tentativa de suicídio - 08Total - 388

Região Oeste

Aborto - 01Acidente pessoal - 30Agressão - 33Casos clínicos - 171Demência - 00Parturientes - 15Queda - 112Tentativa de suicídio - 08Total - 370