Com 350 voluntários, a qualidade do atendimento prestado pelo CEAC se destacou na categoria Serviços à Família
O Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), de Bauru, obteve a sexta colocação na categoria Serviços à Família do ranking Filantropia 400 - O Guia da Filantropia, elaborado pela Kanitz & Associados e que relaciona as 400 entidades filantrópicas mais atuantes do País.
Na classificação geral, o Ceac ficou em 178.º lugar. As duas colocações indicam a qualidade dos serviços prestados pela entidade, afirma Iracema Coelho, secretária e voluntária do centro espírita. Para quem faz doações, essa informação indica que o dinheiro está sendo bem aplicado, diz.
No ano passado, a entidade investiu cerca de R$ 1 milhão na prestação de serviços a famílias carentes. Fundado em 1919, o centro espírita tem 52 funcionários e cerca de 350 voluntários, os quais atuam no Albergue Noturno, na creche-berçário Nova Esperança e em seis núcleos de assistência familiar, localizados no Jardim Ferraz, Vila Zillo, Núcleo Fortunato Rocha Lima, Vila São Paulo, Vila Nova Esperança e Jardim Europa.
Somente no albergue, no ano passado, o Ceac atendeu 11.752 pessoas, serviu 22.853 refeições e 14.888 lanches e doou 13.205 peças de roupas. Pelo departamento de Triagem de Migrantes passaram 8.640 pessoas, resultando no fornecimento de 1.984 passes de ônibus.
Do total de atendidos pelo albergue, 639 participaram das atividades da Casa de Convivência, iniciadas em 2000 a partir de convênio com a Prefeitura Municipal de Bauru. Através da participação em cinco oficinas, os migrantes receberam orientação profissional, assistência médica e social.
A creche, localizada na Vila Nova Esperança, atendeu 160 crianças, com idades entre 1 a 8 anos. Como em 2000, o serviço continua a funcionar este ano em lotação plena. No local há pré-escola, serviços de atendimento médico, farmacêutico e odontológico.
Nos núcleos de assistência familiar, o Ceac oferece cursos de alfabetização para adultos, cursos esportivos e profissionalizantes, oficinas de recreação, acompanhamento escolar, atendimentos médico e odontológico, além de orientação moral aos adultos. Em todos esses serviços, em 2000, foram servidas 180 mil refeições, para média de 608 crianças, e distribuição de 48.597 peças de roupa, além de leite em pó, medicamentos, cobertores, cestas básicas, material escolar e móveis.
Em muitos dos núcleos o Ceac realiza curso para gestantes. No ano passado, a entidade orientou 324 grávidas, que receberam enxovais completos para recém-nascido. As roupinhas foram produzidas pelas voluntárias do centro espírita, através das oficinas de corte, costura e artesanato.
Outros serviços prestados pelo Ceac incluem atendimento fraterno, visitas a hospitais, por meio do grupo Irmã Sheila, e às penitenciárias. Parte dessas atividades é custeada por doações, que no ano passado atingiram o montante de R$ 345.333,99. Os outros recursos adviram da editora e da livraria do Ceac.
De verbas governamentais, o centro espírita recebeu em 2000 total de R$ 120.081,21, entre recursos municipais, estaduais e federais. Esse valor correspondeu a 20,46% das despesas, orçadas em R$ 584.846,12. Para entrar no Guia da Filantropia, as entidades precisam receber menos de 70% de suas doações do governo e despender acima de R$ 226 mil por ano.
Transferência do albergue
O Centro Espírita Amor e Caridade quer transferir o Albergue Noturno da região central da cidade. Os motivos são a precariedade das instalações atuais e os problemas com a vizinhança, que reclama da freqüência de pessoas alcoolizadas e drogadas pelo local.
Estamos tentando que a Prefeitura nos doe um terreno e ajude a construir o novo albergue. Já recebemos um terreno, mas o perdemos porque não cumprimos o prazo para construir o imóvel. Não tínhamos tanto dinheiro para investir na ocasião, conta Iracema Coelho, secretária do Ceac.
Fundado em 25 de fevereiro de 1951, o albergue registrou, até o ano passado, 651.488 pernoites. Cerca de 60 voluntários atuam no local, que atende migrantes e famílias desabrigadas.
Este é o caso de Vera Lúcia Martins Fernandes, que foi colocada para fora de casa pelo ex-marido. Há três semanas, Vera está no albergue, onde permanece com os três filhos, com idades de 9, 10 e 14 anos. Não sei o que seria de mim se não tivesse esse lugar, conta.
O motorista desempregado Manoel da Silva Filho, de Pompéia, está há um mês no albergue. Ele permanece no local enquanto não consegue a liberação da segunda via de seus documentos, que foram roubados. Não tenho queixas daqui. Eles me ajudaram e são mais do que mães para mim, garante.
A doméstica Jacqueline Mireti dos Santos, atualmente desempregada, foi acolhida pelo albergue depois que a mãe morreu. Com o pai preso na Penitenciária de Avaré, ela continua no Ceac enquanto não consegue emprego fixo. Eles estão me ajudando, confirma.
De acordo com Iracema Coelho, o Ceac quer continuar a atender casos como o de Vera, Manoel e Jacqueline, mas precisa de local mais adequado. Nossas instalações são antigas, apesar de fazermos manutenções constantemente, e o local do albergue poderia abrigar novas salas para cursos e palestras. É um local necessário para a expansão da entidade, informa.
Segundo Iracema, o Ceac garante que continuará a administrar e manter o novo albergue, caso a Prefeitura doe e construa o novo imóvel.