O Jardim Flórida corre o risco de voltar a ter uma favela às margens do córrego Barreirinho, como há cinco anos, antes de as famílias que moravam no local terem sido removidas para o Núcleo Fortunato Rocha Lima, o Projeto de Desfavelamento. Já existem pelo menos 12 barracos instalados próximo ao córrego, do lado do Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), situação constatada pelo JC nos Bairros e que está preocupando os moradores da Zona Leste.
A possibilidade de refavelamento das margens do córrego Barreirinho foi discutida na última reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da área da Base Comunitária Leste da Polícia Militar e do 2.º Distrito Policial, da Polícia Civil. Representantes de associações de moradores da área Leste presentes à reunião disseram que quase 50 pessoas estão morando nos barracos. Eles querem a inclusão dessas famílias no Projeto de Desfavelamento que, numa parceria entre Prefeitura e Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e em regime de mutirão, construiu casas para boa parte dos moradores de favelas da cidade entre 1995 e 1996.
Mas, o projeto não foi concluído - a segunda etapa não foi entregue - e os moradores que receberam casas no Fortunato Rocha Lima até hoje não têm a escritura do imóvel. Há estimativas que cerca de dez mil pessoas moram em favelas em Bauru. A maior favela da cidade é a do Ferradura Mirim, que concentraria perto de quatro mil pessoas. O JC nos Bairros constatou que realmente os barracos estão aumentando no Jardim Flórida. João Campos do Nascimento, 77 anos, é um dos mais novos moradores das margens do córrego Barreirinho.
Ele contou que se mudou para Bauru com a mulher, vindo de Marília, há cerca de um mês. Nascimento está morando em um barraco de madeira, de apenas um cômodo, que ele disse ter comprado por R$ 30,00. Sobre o motivo da mudança, ele explicou que em Bauru é mais fácil arrumar terreno para carpir e ganhar uns trocados.
Nascimento disse que foi seu filho, que também tem um barraco às margens do córrego Barreirinho, que arrumou o lugar para ele morar. Outra moradora do local, que não quis se identificar, contou que mudou-se para o Jardim Flórida, com seu marido e três filhos pequenos, há cerca de um ano.
A família, oriunda de Sengés (PR), construiu um barraco de madeira e papelão às margens do córrego. Ela contou que seu marido cata papelão nas ruas, atividade que rende à família pouco mais de R$ 100,00 por mês. Apesar de praticamente não ter renda, tanto Nascimento quando a outra moradora, disseram que é melhor morar em Bauru porque não pagam aluguel, água nem energia elétrica e ainda, de vez em quando, recebem doações.
Os moradores utilizam água de uma mina próximo ao córrego. Já energia elétrica, ninguém soube informar quem paga a conta, uma vez que a fiação de todos os barracos estão interligadas e não há relógio de registro. A moradora que não quis se identificar contou que no Paraná a situação era ainda pior, pois a família não tinha nem onde dormir. Em Bauru, ela ganhou alguns móveis e roupas para as crianças.
Praças e imóvel abandonado
Na última reunião do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da área da Base Comunitária Leste e do 2.º Distrito Policial, realizada anteontem no Sesi da Vila Santa Luzia, além da preocupação com o refavelamento do Jardim Flórida, os participantes reivindicaram medidas para combater vandalismo a uma praça no Núcleo Eldorado e outra no Jardim Araruna.
As duas praças, segundo relataram os representantes das associações de moradores, estão sendo depredadas. Outro assunto discutido foi sobre um imóvel localizado ao lado da caixa dágua do DAE na Vila Santa Luzia, que estaria servindo de moradia para pessoas que estariam praticando furtos na vizinhança. Outro problema discutido foi a ocorrência de pequenos roubos a estudantes do Sesi, nos horários de saída de aula. Adolescentes estariam abordando os estudantes e tomando deles passes e pequenas quantias em dinheiro.
Participaram da reunião, além do delegado titular do 2.º DP, Renato Cagnacci; do capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª da PM; do tenente Alessandro Rosseto, comandante da Base Leste, representantes da Pousada da Esperança, Parque Vista Alegre e Núcleo Eldorado, entre outros bairros.
Segundo o capitão Wellington, a PM vai reforçar o policiamento nas duas praças nos horários de maior incidência de vandalismo, para tentar inibir essas ações. A PM também vai fazer operações próximo à caixa dágua do DAE e nos horários de saída das aulas do Sesi, para evitar que os estudantes da escola tenham seus passes roubados.