08 de julho de 2026
Geral

Café: Lima Verde prevê guerra de preço

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Vice-presidente da Faesp, Lima Verde vê com pessimismo resultado das discussões que estão sendo feitas em Londres

O representante da delegação brasileira que está participando da reunião da Associação dos Países Produtores de Café, Maurício Lima Verde Guimarães, vê com pessimismo os resultados da discussões que estão sendo feitas esta semana, em Londres (Inglaterra), sobre os preços (os mais baixos dos últimos dez anos) e o fim da retenção do café. Na opinião dele, que também é vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), o fim da estratégia da retenção - o caminho mais provável - resultará em novas quedas de preços da saca do café.

Para Lima Verde, o Brasil procurará uma saída honrosa quanto à retenção, já que cumpriu todas as exigências feitas anteriormente pela associação em relação a esse assunto e, em função disso, ficou numa situação delicada no mercado cafeeiro.

Há cerca de um ano, em outra reunião da própria associação, foi decidido utilizar a estratégia de reter as exportações de café com o objetivo de estabilizar os preços do produto, que estavam muito baixos. A decisão foi de que todos os países produtores iriam reter 20% da produção com o objetivo de resultar na elevação dos preços. Para se ter uma idéia, atualmente a saca de café está em torno de US$ 55 a US$ 58. Porém, somente o Brasil cumpriu à risca as decisões tomadas na reunião que tratou da retenção do produto, de acordo com Lima Verde. Na realidade, segundo ele, a estratégia da retenção foi criada porque existe um excesso de 10 milhões de sacas de café no mercado internacional.

O Brasil cumpriu a decisão de reter café e, agora, tem praticamente cinco milhões de sacas retidas. Em contrapartida, os outros países, principalmente os asiáticos (Vietnã, Indonésia, Índia), que são os vilões da história porque colocam café a qualquer preço no mercado, não cumpriram nada e continuaram exportando tudo o que puderam, pelos preços decididos por eles. A partir daí, o mercado cafeeiro começou a achar que essa retenção era uma espécie de guarda-chuva, na qual o Brasil retinha o café enquanto que os outros países aproveitavam para vender. Porém, de forma nenhuma a retenção influenciou nos preços do produto. Aliás, pelo contrário, porque continuaram caindo, diz Lima Verde. Segundo ele, o mercado nunca acreditou na retenção do café como forma eficaz de elevar os preços. Só funcionaria se os outros países também retessem o produto, o que não ocorreu.

Para Lima Verde, a saída honrosa do Brasil, à qual ele se refere, pode ser, por exemplo, a de o País se isentar de continuar cumprindo o acordo sobre a retenção já que nenhum outro cumpriu. Se isso ocorrer, será desencadeada uma guerra de preços no mercado, já que, a partir disso, os países produtores procurarão vender o máximo possível, sem qualquer tipo de limitação.

O grande medo do Brasil é que só se entra numa guerra quando há munição para isso e, no momento, nós não temos. Estamos com saldo de três safras deficitárias. Historicamente, a demanda brasileira de café gira em torno de 18 milhões de sacas para exportação e 15 milhões para consumo interno, num total de 33 milhões de sacas. Para se ter uma idéia da situação, já faz dez anos que não temos uma colheita desse tamanho. Para poder suprir essa falta, é preciso mexer nos estoques. Então, numa eventual guerra de preços, a situação ficará muito difícil, porque temos falta de café, analisa.

De acordo com Lima Verde, num primeiro momento a suspensão da retenção será ruim, porque os preços da saca do café cairão. Por esse motivo e por todos os outros que envolvem essa questão - inclusive a falta de café no mercado brasileiro - o vice-presidente da Faesp não acredita numa solução para esse problema a curto prazo. A reunião em Londres termina essa semana.