09 de julho de 2026
Geral

Monti acredita que presidirá PMDB

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Milton Monti acredita que irá receber uma votação expressiva na convenção que disputa com Orestes Quércia, domingo

São Manuel - A poucos dias da convenção que irá escolher o novo presidente do diretório estadual do PMDB, os dois candidatos diretamente envolvidos na disputa, o deputado federal Milton Monti e o ex-governador Orestes Quércia, intensificaram os contatos com os delegados do partido, que são os que efetivamente irão decidir a eleição do próximo domingo. Devem participar da convenção cerca de 1,2 mil delegados.

De acordo com o deputado Monti, que tem sua base em São Manuel, foram mais de 20 reuniões em todas as regiões do Estado. Ele acredita que essas reuniões atingiram cerca de 80% de todo o Estado.

Enquanto isso, o ex-governador continua se articulando em busca de apoio. Ontem, ele esteve em Brasília prestigiando a posse do senador Maguito Vilela (GO) como presidente da Executiva Nacional do partido, após o licenciamento do senador Jader Barbalho. Hoje, ele deve visitar cidades da região de Campinas, seu reduto eleitoral.

Além de candidato a presidente do diretório estadual do PMDB, Quércia quer também a indicação do partido para disputar novamente a eleição para governador do Estado, no próximo ano. Por isso, a convenção do próximo domingo está diretamente vinculada à escolha do candidato do partido ao Governo do Estado, em 2002. É consenso dentro do PMDB, que a chapa vencedora da eleição de domingo deve indicar o candidato a governador. Milton Monti apoia a candidatura de Michel Temer, seu colega de Congresso.

Embora a convenção seja para escolher a direção do partido, é evidente que quem tiver o controle do partido vai indicar o candidato a governador, afirmou Monti. A escolha do candidato não será oficial, mesmo porque a legislação eleitoral estabelece que essa escolha somente deve ser definida oficialmente em junho do próximo ano.

Monti entende que deixar essa definição para o ano que vem é muito arriscado. Quanto antes definirmos isso, melhor. O motivo, segundo ele, é simples. Precisamos discutir alianças e não dá para deixar isso para o ano que vem. Será tarde demais. Nós temos de começar a trabalhar imediatamente. Por isso, nós precisamos de uma definição política do partido para colocar nosso bloco na rua e começar as articulações necessárias para pavimentar o caminho do PMDB ao Governo do Estado, explicou.

Questionado sobre a possibilidade dessa disputa interna causar uma cisão entre os membros do partido, Monti foi diplomático. Há uma disputa política sim, mas para definir os rumos do partido. Não há nenhuma briga. Até porque, de nossa parte, nós estamos tendo um cuidado especial de conduzir as coisas de uma forma muito ética e transparente. Justamente para que depois da convenção o partido mantenha sua unidade em torno da candidatura que for homologada.

Sobre seu apoio a Michel Temer, o deputado Monti voltou a repetir o que havia dito no fim do mês passado. Segundo ele, todos dentro do partido têm uma grande consideração pelo ex-governador, mas como a política é feita de momentos, Monti entende que o momento é do deputado Temer. É o nome mais viável para representar o partido na eleição para governador e para conseguir penetrar nas diversas camadas sociais. Não adianta o cara ser muito bom dentro do partido e não ter voto, provocou.

Monti acredita que irá conseguir o voto de pelo menos 65% dos delegados do partido, na eleição do próximo domingo. Para reforçar sua confiança na vitória, ele cita o apoio que estaria recebendo de nove dos 11 deputados federais que pertencem ao PMDB e votam em São Paulo. Outros três deputados estaduais, dos cinco existentes, também teriam declarado apoio ao deputado de São Manuel. É evidente que se você traz as principais lideranças do partido, vêm junto os delegados. Em Bauru, pelo que nós estamos sabendo, dos dez delegados temos o apoio de oito, disse.

O resultado da eleição da nova liderança estadual do partido deve ser conhecido cerca de três horas após a entrega dos votos. A convenção está marcada para domingo, na Assembléia Legislativa, em São Paulo.

De acordo com o presidente da Juventude do PMDB, Leandro Severo, dois ônibus devem sair de Bauru, no domingo de manhã, com o propósito de manifestar apoio ao ex-governador Quércia. Além de peemedebistas de Bauru, a caravana irá contar também com o reforço de filiados da região.

CPI da Corrupção

O deputado federal Milton Monti não acredita que o PMDB esteja confuso em relação ao seu apoio à CPI da Corrupção, sugerida por deputados e senadores de partidos da oposição com o objetivo de investigar possíveis desvios de condutas do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O partido ainda não firmou posição a respeito do assunto. Uma parte apóia a instalação da CPI, enquanto a outra é contra. Monti faz parte do grupo que assinou o requerimento pedindo o início das investigações. Michel Temer, por sua vez, pertence ao grupo que não concorda com a CPI. Mesmo assim, Monti afirmou que não há divergência dentro do partido.

Segundo ele, essa é uma questão muito particular e que assinou o requerimento porque estaria sendo pressionado por suas bases eleitorais e com medo de que uma decisão diferente da que ele tomou pudesse prejudicar sua candidatura à presidência do diretório estadual do partido. Alguns deputados retiraram sua assinatura (da lista de parlamentares favoráveis à CPI), mas eu não retirei. Mantive-a e pronto, disse.