07 de julho de 2026
Geral

Arraial e diversão

(*) Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Animação, cores, ritmo e movimento nas ruas da cidade

Em junho, São Luís se transforma num grande arraial, cheio de barracas de palha com comidas e bebidas típicas, shows musicais e, principalmente, as ricas manifestações da cultura popular maranhense. O bumba-meu-boi é a mais expressiva delas, uma fantástica mistura de teatro, dança, música e folclore, e apresenta a lenda de Catirina e Pai Francisco, unindo negros, índios e brancos. Os vários estilos de boi, os chamados sotaques- se diferenciam pelos instrumentos, indumentária, coreografias e tipos de toadas cantadas: Boi de Matraca da Ilha, de Pindaré (ambos tocados com matracas), pequenas tábuas de percussão, de Zabumba (predomina uma espécie de tambor) e de Orquestra (com instrumentos de sopro e cordas).

Todos eles são muito animados e cheios de cores, ritmo de movimento. Além do bumba-meu-boi, as festas juninas têm o tambor-de-crioula, dança herdada dos escravos, conduzida por tambores em um ritmo frenético e dançada pelas negras em movimentos sensuais como a umbigada. As festas de junho trazem também quadrilhas, a dança-do-coco, o cacuruá, o lelê ou pela-porco, São Gonçalo, Bambaê de Caixa, Dança Portuguesa, Fita, Facão e outras manifestações típicas.

O bumba-meu-boi conta a estória da negra Catirina que, grávida, desejou comer a língua do boi predileto de seu amo, induzindo o seu marido, pai Francisco, a matar o boi para satisfação de seu desejo.

Em meio a esse clima teatral, o turista não pode deixar de se guiar pelo cheiro e se entregar aos sabores da comida maranhense, incluindo aí o arroz de cuxá, do peixe frito na hora ou da torta de caranguejo.

Aliás, a culinária maranhense ocupa capítulo à parte. É composta de pratos que satisfazem aos mais exigentes paladares, sem ser sofisticada. Mistura as culinárias portuguesa, africana e indígena, com grande variedade de peixes, camarões, crustáceos, mariscos e outros frutos do mar - muitas vezes acompanhado de uma boa farinha .

Arroz de cuxá

1 kg de arroz1/2 kg de camarão seco3 maços de vinagreira (erva que é uma espécie de azedinha)1 cebola3 dentes de alho20 g de sal100 g de óleo2 folhas de louro100 g de gergelim

Faça o arroz branco e reserve. Torre o gergelim e misture com o camarão seco e soque até virar uma paçoca. Pegue a vinagreira e retire as folhas e coloque para cozinhar. Depois de cozida separe as folhas da água e reserve.

Bata as folhas até ficar bem triturada. Leve as folhas trituradas ao fogo com a água em que foi cozida. Deixe cozinhar. Em seguida, misture com o arroz e enfeite para servir.

Roteiro de passeio

Há muito para se ver, fazer, provar e comprar em São Luís. Mas, para se descobrir esta cidade, é necessário passear por ela.

Comece seu roteiro pelas ruas e becos do Centro Histórico, onde vocêr vai conhecer os mais belos sobrados e palácios da arquitetura colonial brasileira. Entre no Teatro Arthur Azevedo, o mais antigo das capitais brasileiras, na Catedral da Sé, no Palácio dos Leões e visite a Fonte das Pedras, a mais antiga e bonita da cidade, construída pelos holandeses em 1614, e o Museu de Arte Sacra.

O passeio revela ao turista a poesia e o romantismo de uma outra época, que permanece intacta nos mirantes, nos lampiões, nas escadarias e nas janelas de onde avista-se a composição artística dos telhados.

Teatro e cultura

O Teatro Arthur Azevedo, considerado pelo New York Times como o mais moderno da América Latina, é um exemplo do trabalho de revitalização do centro

Está certo que o centro histórico de São Luís ainda não está tão preservado como o Pelourinho, em Salvador, ou as ruas da velha Recife. Mas a cidade está dando saltos neste sentido, como prova a revitalização do Teatro Arthur Azevedo, motivo de orgulho para os maranhenses.

A casa de espetáculos com capacidade para 750 lugares, citada pelo The New York Times, como a mais moderna da América Latina, foi palco dos mais disputados bailes de máscaras da época imperial. Foi inaugurado em 1817 e na década passada passou por uma completa restauração, quando todos os detalhes arquitetônicos foram conservados.

Administrado por Fernando Bicudo, o teatro é um exemplo de como a cultura merece ser preservada. Várias montagens lá realizadas vêm sendo aplaudidas pela crítica e público, lotando seus assentos e mostrando ao mundo que o Brasil também faz arte. Um dos grandes sucessos do teatro foi a peça A Catirina, baseada na história do bumba-meu-boi.

Tributo a Bob Marley

Há 20 anos o mundo perdia Bob Marley, vítima de uma emboscada. A batida da música do maior ícone da história do reggae pode ser ouvida em vários pontos de São Luís

Quem curte reggae, bolero e MPB tem mais um motivo para visitar São Luís. Nos barzinhos do centro histórico, arredores da rua Portugal, a MPB corre solta. O bar mais disputado é o Canto do Tonico, propriedade do pai de Zeca Baleiro onde em meio a catuaba - a bebida típica - rola música de qualidade, incluindo as regionais.

A curtição em termos de reggae fica por conta das radiolas, ou seja, galpões onde a turma se reúne, relembrando seu ídolo, Bob Marley. A música jamaicana se tornou popular no Maranhão a partir do desembarque de marinheiros jamaicanos nas praias de São Luís e das rádios do Caribe que lá eram captadas. Em cada dia da semana, o reggae rola em algum ponto da cidade.

As radiolas mais conhecidas são a Jamaica Brasileira, no Retorno da Forquilha (Avenida Jerônimo de Albuquerque s/nº), aos sábados à noite; na Praia do Olho DÁgua, aos domingos, a partir do meio-dia e na Rua do Trapiche, s/nº no centro histórico, às quartas-feiras por volta das 23 horas.

(*) Colaboração: Maratur