11 de julho de 2026
Geral

Uma a cada três lâmpadas das avenidas de Bauru em trechos de poucas casas ou lojas será desligada a partir de hoje. Ontem, no Sambódromo, os refletores estavam desligados mas as lâmpadas da via lateral permaneciam acesas.

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O corte de energia em Bauru deve começar hoje com o desligamento de uma a cada três lâmpadas das avenidas em trechos de poucas casas ou comércio. As praças também devem ter a iluminação reduzida. A informação foi dada, ontem à tarde ao JC por Wilson Maldonado Júnior, gerente de serviços de campo da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) que garantiu que, por enquanto, áreas comerciais e residenciais serão poupadas.

A CPFL está aguardando, apenas, a publicação do pacote de apagões do Governo Federal no Diário Oficial da União para começar a desligar as lâmpadas. Maldonado Júnior contou que já começou a montar equipes que sairão às ruas para desligar as lâmpadas, trabalho que será feito manualmente. A cada três lâmpadas, uma será desligada.

Mas por enquanto, serão atingidas trechos de avenidas onde há poucas casas ou comércio, como a avenida Rodrigues Alves na altura do Distrito Industrial e a avenida Nações Unidas após o trevo de acesso a Unesp. Nas praças, a idéia é também desligar parte das lâmpadas ou reduzir a potência das luminárias instaladas. Hoje, a CPFL deve reunir-se com a Prefeitura para definir mais detalhes das áreas públicas que serão atingidas pelo corte de energia.

A CPFL vai fazer um trabalho em conjunto com a Prefeitura para minimizar problemas de segurança pública. O gerente de campo da CPFL explicou que, após a publicação do pacote de apagões, aguardada para hoje, as medidas serão detalhadas. Maldonado Júnior estima que essas medidas vão resultar numa redução de 1,5% do total da energia consumida em Bauru, o que ainda é pouco.

Na próxima semana, sendo preciso, a CPFL continuará o desligamento da iluminação pública de forma gradativa em áreas comerciais e, em último caso, residenciais. Outra medida já acertada será a substituição das lâmpadas de vapor de mercúrio de 400 Watts, que consomem muita energia, por lâmpadas a vapor de sódio de 200 Watts, bem mais econômicas.

No entanto, essa substituição não resultará em economia significativa, já que são poucas as lâmpadas de vapor de mercúrio de 400 Watts na cidade. Maldonado Júnior ressaltou que a economia de energia por parte da população é muito importante, pois poderá evitar até que mais áreas públicas sejam atingidas pelo apagão.

Enquanto a população está discutindo e adotando medidas para economizar energia, os moradores do Jardim Manchester, bairro da área urbana de Bauru localizado às margens da rodovia Bauru-Jaú, do lado oposto ao Tangarás, continuam à luz de vela, lamparina ou lampião a gás. O bairro, loteado em 1966, e que tem cerca de 90 casas, não tem energia elétrica.

Para os moradores do bairro, o apagão, tão comentado nos últimos dias, é a realidade. No início do ano, foi feito um acordo entre o loteador do bairro, a Imobiliária Brasul, a Prefeitura e a CPFL para extensão de rede de energia até o Manchester. No entanto, até agora o loteador não pagou o valor da obra à CPFL, cerca de R$ 80 mil.

Até ontem, a CPFL não sabia estimar se o consumo de energia elétrica em Bauru reduziu ou não nos últimos dias. Mas Maldonado Júnior disse que, a partir desta semana, a CPFL vai fazer medições diárias do consumo e, assim, poder direcionar as ações.

Hospitais

A Maternidade Santa Isabel e os prontos-socorros municipais não têm geradores para manter aparelhos em funcionamento caso os temidos apagões realmente ocorram. Já o Hospital de Base e o Hospital da Unimed têm geradores, que poderão manter aparelhos, UTIs e salas cirúrgicas em funcionamento.

O presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Joseph Saab, contou que está tentando comprar um gerador para a Maternidade Santa Isabel, mas não tem encontrado o aparelho, que se esgotou nas lojas. Ele disse que irá tentar emprestar um gerador da CPFL ou da Cesp caso realmente não consiga comprar o gerador, estimado entre R$ 80 mil e R$ 90 mil.

A Prefeitura também deve recorrer à CPFL ou à Cesp para tentar obter um ou mais geradores para os prontos-socorros, segundo o assessor de Gabinete, Braz Melero. Caso haja apagões e a AHB não consiga gerador para a Maternidade Santa Isabel, a UTI Neonatal (onde ficam os recém-nascido em estado grave) será transferida, temporariamente, para o Hospital de Base, de acordo com Saab.

O gerador do Hospital de Base, para emergências, tem condições de manter em funcionamento as quatro salas cirúrgicas, UTIs e os dois elevadores do hospital. A iluminação, em caso de apagão durante cirurgias, será feita através de lâmpadas que funcionam à bateria. Mas mesmo com o gerador, Saab não está totalmente tranqüilo, pois não se sabe por quanto tempo o aparelho poderá manter o hospital.