08 de julho de 2026
Geral

Emprego formal cresceu em Bauru

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Trabalhadores de serviços em edifícios tiveram o melhor índice, com saldo positivo de 155 novos postos de trabalho

A quantidade de empregos formais teve um crescimento em Bauru, em 2000, considerando os saldos de contratações e demissões das 15 funções que mais admitiram e das 15 que tiveram pior desempenho, segundo um levantamento da regional da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert). Nessa comparação, o numero de postos criados (1.317) foi 89% maior do que os 696 que foram extintos.

A função que abriu o maior número de postos de serviços foi a de trabalhadores em serviço de administração de edifícios, com 155 vagas. Por outro lado, a parte formal da construção civil foi a que mais fechou postos, com um encolhimento de 257 vagas somadas em dois itens do levantamento.

Para o presidente da Comissão Municipal de Emprego (CME), Domingos Malandrino, o setor da construção civil teve o pior resultado, com o fechamento de 257 postos de trabalho, porque a cidade apresentou estagnação nesta área.

Por outro lado, destaca, os trabalhadores de serviços em edifícios tiveram o melhor índice, com um saldo positivo de 155 postos de trabalho. Para Malandrino, isso se deu em razão da entrega de vários condomínios na cidade, ampliando a quantidade de vagas.

O presidente da CME afirmou que os dados positivos no setor de metalurgia e siderurgia, que teve um saldo positivo de 151 postos, é muito importante, pois é um setor que traz recursos para a cidade e, além disso, gera outros empregos indiretos.

Malandrino lembra que o terceiro pior desempenho foi na área de auxiliar contabilidade, caixas e assemelhados, que está diretamente ligada ao desaquecimento do comércio.

O setor agropecuário teve um crescimento de 80 vagas e o de turismo de 75 postos. Para Malandrino, isso é muito positivo, pois são setores que voltaram a se desenvolver no município.

Alexandre Ciro Peri Bertoni, diretor regional da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), afirmou que existem tendências no mercado formal de trabalho e, no caso do levantamento de vagas, há um remanejamento, com expansão em algumas áreas e quedas em outras.

Para ele, neste ano, a característica continua. Porém, desde 2000 há uma expansão da atividade industrial no Estado de São Paulo. O setor de prestação de serviços se mantém como um gerador de vagas.

Além disso, segundo Bertoni, há um movimento migratório de empresas para o Interior do Estado, numa tendência que vem se reforçando a cada dia. Isso é uma boa notícia, pois vem gerando emprego e desenvolvimento em vários setores, afirmou.

Ele lembra que há muitas atividades de terceirização, em função da privatização de várias empresas. Para Bertoni, há uma tendência que os ex-funcionários formem cooperativas de trabalho para formalizar a relação com as estatais privatizadas.

Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, Bauru seguiu, em 2000, a tendência nacional de crescimento no setor industrial e manteve firme sua principal atividade: setor terciário (serviços).

Cafeo destaca que, no ano passado, a indústria teve forte crescimento e, mesmo com toda a mudança estrutural, acabou sendo positivo, refletindo no setor na região de Bauru.

Além disso, lembra o economista, em 2000, a cidade descobriu o mercado exterior, que pode ter sido impulsionado pela instalação da Estação Aduaneira Interior (Eadi), administrada pela Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem). Os números com saldo positivo indicaram uma forte contratação nesse segmento, afirmou.

Para o delegado do Corecon, os números chamam a atenção na área de terceirização de serviços, opção que muitas empresas têm feito para evitar os encargos sociais.

As maiores queda, lembra Cafeo, estão nas profissões que abrigam mão-de-obra desqualificada, tipo de trabalhador que está perdendo espaço, demonstrando que o mercado está mais exigente. Considerando que, no ano passado, a economia cresceu e a maior parte dos setores cresceu, se esses perderam o emprego é porque estão sendo substituídos pela máquina (tecnologia) ou por pessoas cada vez mais qualificadas, afirmou.

Cafeo disse que o mercado de trabalho é muito dinâmico. Ele lembra que a cidade até oferece vagas em diversas áreas, mas não há pessoas qualificadas para preencherem.