Depois de quase 10 anos, a segunda geração da família Coube reassumiu o posto máximo da Tilibra, a presidência. Num acordo de acionistas com Maria Silvia Coube, viúva de Henrique Coube, o único filho vivo de João Baptista Coube, fundador da empresa, Rubem Coube, foi encaminhado ao posto que já havia ocupado há uma década.
Não houve mudança na composição da diretoria da Tilibra, ou seja, todos os oito membros foram mantidos, trocando apenas de cargos, o que era uma prática comum na empresa. Há cerca de dez anos, Caio Coube, filho de Sérvio Túlio Coube, e Luís Antônio de Silos Carvalho, procurador de Maria Silvia Coube, se alternavam no posto de diretor-presidente e diretor-superintendente, em um acordo anterior de acionistas.
A outra mudança significativa foi que Pedro Henrique Coube, filho de Maria Silvia e que há meses passou a ser seu procurador, assumiu o cargo de diretor-superintendente. Caio Coube, Carvalho, Maria Silvia e Olga Coube, viúva de Sérvio Túlio, ocupam, na nova composição, os cargos de vice-presidentes. Vinícius Coube e André Coube ficaram como diretores executivos. Esses cargos são para preencher a questão estatutária. Há muitos anos, temos o rodízio dos executivos que preenchem esses cargos, afirmou Carvalho, que destaca que Rubem Coube tem um importante papel de aglutinação entre os acionistas.
No entanto, destaca o vice-presidente, a nova composição da diretoria não influencia na questão operacional do negócio, pois os membros vão manter as atividades em suas áreas de atuação. Assim, não haverá uma solução de continuidade nas estratégias da empresa e departamentos.
O novo acordo de acionistas serviu para acomodar algumas diferenças que vinham surgindo nos últimos meses. Antes do acordo com Rubem Coube, que possui 30% da participação na empresa, Maria Silvia e seus filhos, que têm 35%, chegaram a pensar em vender a participação.
Porém, com a nova acomodação, segundo Carvalho, não há mais qualquer possibilidade de venda da Tilibra. Se surgir uma empresa multinacional interessada em comprar a Tilibra, isso vai ser analisado. Mas, isso não existe hoje. É um patrimônio da família e, atualmente, nenhum dos acionistas está pensando em vender sua parte, afirmou.
A Tilibra, maior fabricante de cadernos do Brasil e a terceira da América Latina, é, atualmente, a maior empregadora privada de Bauru com 1.145 empregados. No ano passado, segundo balanço publicado, a empresa teve um faturamento de R$ 220 milhões. De acordo com Carvalho, a meta para 2001 é que esse faturamento chegue a R$ 235 milhões. O lucro líquido, após o Imposto de Renda teve um aumento de quase 200%, em relação ao período anterior, chegando a R$ 3,4 milhões, contra os R$ 1,3 milhão de 1999.
A Tilibra não tem dívidas. Seus equipamentos são de última geração e estão quase todos pagos, a exceção é uma impressora nova que foi comprada recentemente, pela qual foram pagos R$ 4 milhões, dos quais R$ 1 milhão à vista e o restante financiados em cinco anos pela própria fabricante, a Roland. Investimentos, como o Centro de Distribuição, no qual foram gastos cerca de US$ 4 milhões, em financiamentos, já foram quitados.