08 de julho de 2026
Geral

Cortadores de cana podem ir a greve

Redação
| Tempo de leitura: 2 min

No encontro de ontem, em Agudos, representantes sindicais de todo o Estado marcaram um dia de concentração geral

Agudos - Os trabalhadores rurais do setor canavieiro podem deflagrar uma greve ainda este mês, caso as negociações salariais não progridam a contento. A informação é da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) e Sindicato de Trabalhadores Rurais que vêm acompanhando a situação dos trabalhadores.

Ontem, representantes sindicais de todo o Estado estiveram reunidos em Agudos discutindo a questão e decidiram convocar os trabalhadores para uma concentração geral, marcada para o dia 28 próximo, em Ribeirão Preto.

É que os salários atingiram níveis insuportáveis, com trabalhadores em situação miserável e, literalmente, em algumas regiões, passando fome, disse o presidente da Fetaesp, Mauro Alves da Silva.

A reunião ocorrida em Agudos, entre os membros da Comissão de Negociação da Campanha Salarial do Setor Canavieiro, Sindicatos de Trabalhadores Rurais das regiões canavieiras e direção da Fetaesp, foi uma reflexão sobre a situação, inclusive do processo de negociação em andamento com as representações patronais e a decisão sobre a greve, se essa for inevitável. Os trabalhadores entendem que só não haverá motivos para a greve se houver aumento substancial dos atuais salários, os quais teriam ficado piores em razão da necessidade do corte de cana na palha, por conta da proibição das queimadas. Nessa nova condição, segundo a Fetaesp, o trabalhador canavieiro estaria recebendo em média, R$ 3,00 por dia.

No último dia 16 de maio, houve a quarta rodada de negociação entre a bancada profissional (dos trabalhadores rurais canavieiros) e a patronal na sede da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp). Não houve avanço segundo os cortadores, haja vista que a bancada patronal estaria insistindo em conceder apenas o INPC do período, cerca de 7%. O pleito dos trabalhadores é o de que além do INPC, seja concedida a variação da Açúcar Total Recuperável (ATR), apurado em função da média da comercialização da tonelada de cana e cuja variação seria da ordem de 67%. O piso da categoria passaria dos atuais R$ 235,22 para R$ 389,00.

A argumentação dos trabalhadores sobre a inclusão da ATR como parâmetro prende-se ao fato de que os produtores rurais e usineiros - conforme atestam os indicadores econômicos de várias instituições - tiveram extraordinária recuperação nos preços da matéria-prima e dos produtos derivados. Em contraposição, os trabalhadores estariam acumulando perdas.

O presidente da Fetaesp, Mauro Silva, diz que o trabalhador chegou no limite da suportabilidade Ainda segundo Silva, muitos dos trabalhadores já estão abaixo da linha da pobreza, e já buscam, com a família, teto sob pontes e se ocupando da venda de produtos conseguidos nos lixões como latas e papelão.