08 de julho de 2026
Geral

Adeptos ao budismo aumentam 40%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Relações públicas de templo bauruense explica que os conceitos religiosos mudam com o tempo, acompanhando a evolução

O número de adeptos ao budismo aumentou cerca de 40% nos últimos três anos em Bauru. A afirmação é do presidente da Associação Religiosa Nambei Hongangi, Kiuroku Sasaki. Segundo ele, atualmente, cerca de 200 famílias estão associadas e freqüentam o templo budista, que foi criado há 42 anos na cidade.

Relações públicas da Associação, Massaru Ogino, atribui este aumento, principalmente a duas causas: Uma delas é a curiosidade - as pessoas querem saber o que é o budismo. A segunda é que está havendo maior integração dos costumes japoneses na sociedade brasileira e não só na religião, mas na alimentação também.

Criado na Índia há cerca de 2.500 anos, o budismo é uma religião em que busca-se viver de uma maneira equilibrada e serena, sem deixar-se levar nem pelo sofrimento, nem pelo prazer excessivos. A idéia é seguir o Dharma (caminho do meio). O conceito de bem e mal é muito subjetivo, mas está bastante caracterizado. Através dos ensinamentos budistas ministrados pelo sacerdote, cada um tem que avaliar o próprio comportamento e nortear os próprios passos. Você é o seu próprio juiz., explicou Ogino.

Esse auto-julgamento, segundo ele, seria feito nos momentos de meditação, de introspecção, que caracteriza o chamado zen-budismo - ramo do budismo que é mais comum no Brasil. Como no cristianismo, existe uma infinidade de ramificações. Seria impossível enumerá-las.

Evolução

O aumento do número de adeptos ao budismo coincide com o momento em que a concorrência parece inevitável. Pessoas se atropelam e se agridem diariamente para garantir o próprio sustento. Do lado oposto, o budismo prega uma vida tranqüila e serena, onde o apelo à matéria deve ser evitado.

Questionado sobre essa contradição, Ogino esclareceu que a religião precisa acompanhar a evolução humana, para não se perder no tempo. Está certo que o princípio básico das religiões é o não apego ao materialismo. Mas nós não batemos com muita força nessa tecla, porque as evidências mostram que, hoje, se você não trabalhar, o país fica esquecido. As religiões não podem ser estáticas. Elas têm que acompanhar a evolução do mundo, comentou.

Ele afirmou que muitas coisas que já foram pregadas nos séculos passados foram banidas. Principalmente porque as pessoas criavam lendas em torno de alguns preceitos, como o da reencarnação. Dizia-se que quem era mal, reencarnaria em seres inferiores. Todas essas idéias foram abolidas por nossos superiores.

Atualmente, a figura maior do budismo é Dalai Lama. Ele é como o Papa para a Igreja Católica. Mas, na Índia, é mais uma figura política que religiosa, concluiu Ogino.

Serviço

O templo budista da Associação Religiosa Nambei Hongangi fica na avenida Castelo Branco, 7-50 e pode ser visitado diariamente, das 7 às 10 horas. Mais informações, pelo telefone 236-1344.

Siddharta Gautama e o Budismo

Siddharta Gautama, o Buda, nasceu por volta de 556 a.C., na Índia. Era filho do rei Suddhodana e da rainha Maya. Ao nascer, um velho sábio teria profetizado que a criança seria grande entre os grandes, podendo tornar-se um poderoso rei ou um mestre espiritual.

Impressionado e temendo o despertar de um interesse espiritual de seu filho, o rei ordenou que o garoto jamais saísse dos limites do palácio. Assim, ele não conheceria a miséria, nem o sofrimento. Mas isso não o impediu de ouvir os comentários sobre a vida dura do lado de fora e, certo dia, o príncipe resolveu atravessar a cidade. Viu, então, pela primeira vez, a velhice, a doença, a pobreza e a morte. Em choque, aos 29 anos, abandona tudo e parte em busca de explicações espirituais.

Depois de algum tempo de peregrinações, Siddharta encontra um monge mendicante e decide segui-lo. O tempo passa e ele percebe que os sacrifícios físicos são inúteis. Chega à conclusão de que é preciso trilhar o Caminho do Meio (Dharma). Pára de punir-se, volta a alimentar-se equilibradamente e seus companheiros o abandonam.

Siddharta segue seu caminho, confiando na intuição e buscando conhecer a si mesmo. A serenidade e tranqüilidade chamam a atenção para ele. As pessoas começam a rodeá-lo e Siddharta passa a ser chamado de O Iluminado.

Sua doutrina é baseada em três pontos principais: a temporalidade (todas as coisas estão sempre em fluxo e mudando; nada é permanente), o desprendimento (pessoas devem fluir, viver e desfrutar deste mundo, mas sem que se apeguem a ele) e o auto-conhecimento (o sofrimento advém de uma percepção limitada que o homem tem de seu mundo; é preciso viver com a ingenuidade das crianças, sem preconceitos ou ansiedades).

Fonte: www.geocities.com/Vienna/2809./buda.html