07 de julho de 2026
Geral

UTOPIA?

José de Almeida Netto
| Tempo de leitura: 2 min

Em 18 de fevereiro, próximo passado, através desta Tribuna demos sugestões a respeito do que poderia ser feito, a fim de reativarmos as vias férreas. Houve quem se manifestasse, julgando que para atender aquelas sugestões, não haveria recursos para tal empreendimento e ainda considerava a idéia utópica. O que, entretanto estamos verificando na hipótese da falta de recursos financeiros é exatamente o contrário, recursos há. Tanto há, que o Governo Federal anunciou por intermédio do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que decidiu, financiar a expansão das malhas ferroviárias e o diretor executivo da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF), Fernando Figueiredo, prevê a necessidade de R$ 15 bilhões, conforme matéria veiculada neste jornal, dia 5 de abril de 2001, página 26, poderíamos contar ainda com muito mais recursos se houvesse melhor controle e gerenciamento evitando-se os desvios e desperdícios tais como: o rombo da Previdência, Sudam, Sudene, o caso da construção da sede do TRT - SP (Lalau), etc.

Quanto ao juízo, considerando aquelas sugestões por nós formuladas, julgando-as utópicas, consideramos normais, porque existem pessoas já acostumadas e conformadas a convivência do subdesenvolvimento e assimilaram bem o aprendizado do desânimo, falta de patriotismo e sobretudo a falta de fé, abandonando dessa forma todas e quaisquer possibilidades de transformação.

Imaginemos na época em que as estradas de ferro ainda se encontravam em seu projeto embrionário. Quantas pessoas chegaram a considerar o projeto utópico, face às grandes dificuldades daquele momento, falta de recursos de toda espécie (tecnologia rudimentar, falta de maquinários e equipamentos), para fazer frente aos obstáculos, tais como: os cortes em rochas através das serras, aterros nos pântanos, construções de pontes sobre os imensos rios, etc, onde no princípio os materiais eram removidos em carriolas por tração humana. Tudo isso foi possível porque houve Governo e Povo que acreditaram na possibilidade de transformar os sonhos em realidade. Agora utopia seria abandonar esta superestrutura, após tantos investimentos e sacrifícios. O que nos causa, perplexidade é o fato de que após o Governo anunciar que vai investir nas vias férreas, aquelas pessoas que se intitulam defensoras das estradas de ferro não se manifestaram a respeito, ou se dizem defensores somente por demagogia e hipocrisia?

Seguindo o exemplo da Parábola do Semeador, enviamos cópias de nossa sugestão sobre as vias férreas, aos vereadores da Câmara Municipal de Bauru e bem como a vários Deputados da Assembléia Legislativa do Estado, e ainda a muitos deputados federais e senadores. De alguns já recebemos respostas. Não alimentamos a ingenuidade em pensar que algum político prestigiará nossas idéias. Sou da seguinte opinião: os políticos estão a fim de prestigiar suas próprias idéias, salvo raríssimas exceções. Porém, esperamos que um dia, quem sabe, a semente poderá cair em terra fértil. (José de Almeida Netto - RG. 3.293.252)