08 de julho de 2026
Geral

Odail quer cidade sem analfabetos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Prefeitura de Piratininga quer retomar programa de erradicação do analfabetismo, que foi interrompido em 1992

Piratininga - O prefeito de Piratininga Odail Falqueiro (PFL) aos poucos vai retomando as ações que marcaram seu mandato anterior, encerrado em 1992. Primeiro ele começou a se articular para retomar a regularização do terreno onde ele pretende construir um distrito industrial. Agora, o prefeito quer novamente pôr em prática um programa que visa erradicar do município o analfabetismo.

Porém desta vez, ele quer contar com a ajuda financeira do Banco Mundial. Para tanto, enviou projeto ao representante do banco em Brasília, explicando como pretende agir no combate a esse atraso educacional dentro do município.

Quem assina o projeto é a presidente do Serviço de Promoção Social de Piratininga, Maria Aparecida Falqueiro de Camargo. Ela justifica o pedido de auxílio financeiro relatando que a entidade tem enfrentado grandes dificuldades para atender os analfabetos da cidade. Maria Aparecida espera agora que os controladores do Banco Mundial se sensibilizem com o projeto e decidam liberar algum dinheiro.

O que o município pede em troca de uma ação eficiente de combate ao analfabetismo é proporcionalmente muito pouco em comparação ao benefício que o projeto poderia trazer se realmente for levado a sério pelo poder público. Tanto o prefeito quanto a presidente Maria Aparecida acreditam que com R$ 11,5 mil (US$ 5 mil) a cidade conseguirá zerar o número de pessoas que não sabem ler nem escrever, em Piratininga.

Caso o dinheiro seja realmente liberado, ele não deve entrar nos cofres da Prefeitura. Ele deverá ser depositado nas contas do Serviço de Promoção Social, comandado por Maria Aparecida. A contrapartida do município, segundo consta do projeto enviado a Brasília, é o fornecimento de espaço físico, professores, televisão e vídeo para encontros mensais e reuniões sócioeducativas.

Uma das peculiaridades do projeto é deixar que o aluno escolha local e hora em que pretende estudar. Além disso, para cada aluno deverá existir um professor voluntário. De acordo com o prefeito, o público-alvo do programa são trabalhadores rurais que perderam o estímulo de freqüentar regularmente uma escola. A pessoa chega cansada em casa, depois de um dia inteiro na lavoura. É compreensível que não tenha disposição para sair de casa, disse Falqueiro.

Sabendo disso, o prefeito seguiu uma linha de raciocínio previsível, mas que segundo ele dá resultados positivos: transformar a casa do trabalhador em uma sala de aula.

Mas se os professores serão voluntários, se a sala de aula será a casa do aluno, então por que depender de recursos externos para colocá-lo em prática? Nem o prefeito sabe ao certo. Tanto não sabe que já adiantou que o programa deve ser reativado mesmo que o Banco Mundial reprove o projeto e decida não abrir mão de nenhum centavo.

Por ter trabalhado desta forma em 1992, Falqueiro sabe que o custo de um programa nesses moldes é praticamente zero. Naquele ano, o prefeito informou que foram alfabetizadas, com todas as ressalvas que a palavra exige, cerca de 50 pessoas. A alfabetização do programa se resume a ensinar o aluno a ler e escrever o básico que pode ser ensinado dentro de um prazo de seis meses.

Para ilustrar a importância do programa, Falqueiro cita o caso de uma aluna evangélica que freqüentava os cultos sempre com a Bíblia debaixo do braço, mesmo sem saber ler um único versículo. Ela participou do programa até o fim e, na festa de formatura, seu presente foi ler, na presença de todos, um trecho da Bíblia. Trata-se de um programa simples, mas com resultados significativos, disse.

Em sua reestréia, o programa de erradicação do analfabetismo de Piratininga deve abrir vagas para 50 pessoas. Conseguir a adesão de voluntários parece não preocupar o prefeito, que no momento está procurando um professor para elaborar a parte pedagógica do programa. A próxima turma deve começar em julho. Os cadastros já começaram a ser feitos.