Desde o início do governo FHC, a maior crítica que recebíamos era o tamanho da sua aliança de sustentação, que agregava o PSDB com o PFL, o PMDB, PPB e o PTB. Aliança ampla demais, heterogênea demais, juntando correntes e pensamentos freqüentemente divergentes, inclusive setores conservadores de direita. A base pragmática desta aliança era a necessidade de se ter um conjunto de votos no Congresso Nacional que desse condições de governar por maioria de votos e mais ainda, que pudesse realizar, com 3/5 dos votos, as reformas constitucionais exigidas diante da crise do Estado que manteve o País estagnado por mais de uma década.
O PSDB, no primeiro período de governo, tinha pouco mais de 10% dos parlamentares e, no segundo período, cerca de 20%. A soma com os outros partidos tornou-se inevitável. Ressalte-se que pensar uma aliança à esquerda era impossível pois esta adota uma postura conservadora, presa a dogmas e refém das corporações funcionais. O cimento desta aliança era a força do Plano Real. Ele impeliu este conjunto de forças a atuarem em conjunto e só assim as reformas puderam se realizar, ainda que em parte, insuficientes e inacabadas. E foi exatamente esta mudança do Estado, as reformas realizadas, que abalaram não só a aliança governista, solapando a base conservadora à direita, mas ao mesmo tempo, levaram ao desespero as correntes conservadoras à esquerda.
Assim sendo, a aliança de governo foi se tornando instável. E a medida que vai se dando a perda de postos de poder no aparelho do Estado e agora sem a cobertura do Plano Real procura a oposição através de uma CPI desestabilizar o governo, captar todo o descontentamento, formando a mais ampla e pouco santa aliança que se tem notícia no País, apenas compreensível se entendermos que unifica os derrotados (conservadores à direita e à esquerda) pelas transformações que o país vem sofrendo. Não é à-toa que ao PT se juntaram o PL (e a sua Igreja Universal) e os que, através de chantagem, exigem seu lugar no cada vez mais diminuto aparelho do Estado. Somem-se a isto interesses e divergências pessoais e regionais e tem-se a mais ampla aliança, do ponto de vista qualitativo, que se tem notícia.
Ao juntarmos na aliança governista partidos de concepção e caráter diferentes, respeitamos e submetemo-nos ao jogo democrático. Quem elegeu as bancadas e deu os números com que contam os partidos foi o processo eleitoral, limpo, claro e transparente, decisão popular. A aliança pouco santa que se forma agora, utilizando a CPI como instrumento atraente para o povo, que se pretende iludir criando a falsa ilusão de que ela pode abalar a corrupção, mostra o caráter eleitoral anti- democrático das oposições que nunca deixaram de lado seu caráter golpista e nunca deixaram de se utilizar do mais abjeto oportunismo para tentar chegar ao poder ainda que às custas de destruição de tudo aquilo que se conseguiu avançar nestes anos.
Todos sabemos que a corrupção é estrutural e só pode ser combatida com profundas reformas, envolvendo as instituições e a sociedade. O que é visível hoje, Sudam, Sudene, DNER, etc., são apenas sintomas da doença que abala o aparelho de Estado que estamos reformando e só aparecem exatamente porque estamos agindo com firmeza, jogando o jogo democrático, com respeito às urnas e às instituições. As oposições, com sua pouco santa aliança, mostraram seu verdadeiro caráter e a sua submissão aos interesses mais mesquinhos no seu afã de conquista do poder.
(*) O autor, Alberto Goldman, é deputado federal pelo PSDB-SP.