08 de julho de 2026
Geral

As evidências se multiplicam

(*) Jorge Boaventura
| Tempo de leitura: 3 min

Já no sentido do próprio título destas Reflexões se traduz o pessimismo, que não nos compraz, mas não deixa de assaltar-nos, à medida em que procuramos enxergar certas verdades que se escondem ou, melhor, que são escondidas por determinados interesses, de maneira a que o povo, sua vítima, não chegue a conhecê-las. É que não se afasta do nosso espírito a luminosa e concisa lição que, há cerca de dois mil anos foi posta a nosso serviço: pelos frutos os conhecereis. O que queremos significar e colocar à disposição da análise pela inteligência e pela consciência dos que nos honram com a sua leitura ao, mais uma vez, mencionar a referida e sapientíssima lição? O que queremos dizer é que a civilização a que pertencemos e, nela, a sociedade brasileira que integramos, além da repetição paroxística acerca do modelo institucional que, há bem pouco, era apenas promovido publicitariamente, mas hoje vem sendo imposto, pela pressão econômica ou pelo uso simples, direto e brutal da força, tem produzido, e abundantemente, frutos que lhe desmentem a excelência e a irretocabilidade. Ainda nestes dias, a Nação acompanha o espetáculo, ou espetáculos deprimentes, que se desenrolam no Congresso Nacional, inclusive em seu nível mais alto; e, como se não bastasse, à vergonhosa crise em que já vivemos, acrescenta-se agora o espetáculo incrível de um Poder Executivo que, há seis anos em exercício, declara-se pego (sic) de surpresa, pela criminosa insuficiência de geração de energia. No momento em que estamos escrevendo, ainda não foi anunciado o quanto e o como do racionamento que se espera. Das hipóteses que circulam, entretanto, uma coisa é inquestionável: o progresso da nossa pátria vai ser ainda mais entravado e, aos sofrimentos do povo, novos sofrimentos serão acrescentados. Sem querer realizar comparações entre institucionalidades mas, apenas, ater-nos ao factual e concreto, os leitores que não sejam muito jovens, haverão de lembrar-se de quanto, ao tempo da construção das nossas grandes hidrelétricas, em especial a de Itaipu, as esquerdas, das quais fração ponderável está hoje no poder e servindo mais à globalização do que ao nosso País, valendo-se da mídia que infiltravam na conformidade da estratégia de Gramsci, condenavam aquelas iniciativas, taxando-as de obras faraônicas. Já imaginaram os leitores como estaríamos hoje, caso elas não tivessem sido realizadas?

Diz a sabedoria popular que o uso do cachimbo deixa a boca torta. Assim, os que, no passado, servindo à III Internacional, como hoje servem à globalização, à força de sabotarem àquele tempo, a configuração de uma sólida matriz energética, acabaram por descurar-se do setor, a ponto de serem pegos de surpresa pela situação calamitosa em que se encontra, à míngua de investimentos que deveriam ter continuidade, pois os fatores básicos de que se compõe, são de construção e maturação demorados.

E o povo, aquele mesmo que deveria ser servido, é convidado agora a, por uma ou outra maneira, pagar pela incúria cuja responsabilidade não lhe pode ser imputada. E tudo isso acontece e torna-se possível, não casualmente, mas por falhas doutrinárias que são escamoteadas do conhecimento geral, mas a que pretendemos reportar-nos em futuras Reflexões.

Até lá, se Deus quiser.

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