Setembro de 1996, estávamos alocados no rancho do Zulindo Costa & Cia, que fica às margens do rio Miranda, eu e meus dois irmãos, o Irineu Luzia Fernandes e o conhecido pescador Fernando Lucilha Jr., de sobrenomes diferentes, mas os mesmos mãe e pai.
No primeiro dia da pescaria, ansiosos, subimos, logo pela manhã, de barco (pilotado pelo mano Fernando) e adentramos no rio Salobra, afluente do Miranda, e como estávamos na seca, o rio estava baixo. Na água limpa dava para ver cascudos e outros peixes, que na areia branca nem ligavam pela nossa presença. Então numa curva do rio, passamos por uma galhada com arbustos e achamos que ali seria um ótimo poço. Amarramos o barco e tentamos pescar sem saber que o local era uma ceva do Lori, que morava num rancho nas redondezas, tendo ele colocado um cambão de milho azedo, sacos de mandioca e farelo de semente de algodão. Como tínhamos chegado antes do dono da ceva, começou aquela loucura: piau de vários tamanhos, piraputanga, pacu, piauçu, festa verdadeira, e logo no primeiro dia da pescaria. Mas como estávamos só com um embornal, e pequeno, o Irineu tirou as tangerinas que tínhamos levado numa bacia, colocando as ditas no fundo do barco. Começamos a colocar os peixes dentro da bacia de alumínio, mesmo sabendo que não era o recipiente ideal, a capacidade da bacia era de 22,5 litros, mas não demorou muito e ela ficou cheia até no topo, uma maravilha! Isso em menos de 90 minutos de pescaria.
Voltamos para o rancho, mas o Zulindo Costa, com sua Canon profissional, tinha descido pelo Miranda abaixo e não documentou em foto aquele verdadeiro manjar dos deuses, porém a bacia está lá, no rancho, meio amassada, é verdade, de tanto peso, mas só ela, além, é claro, os irmãos Irineu e Fernando, que moram na rua Joaquim de Souza, nos Altos da Cidade, para provar que esta é uma história verdadeira de pescador.
(*) Chico Luzia é bancário e pescador aposentado que procura estar sempre de bem com a vida