A Sociedade Brasileira de Alergia elegeu o dia de hoje para a conscientização sobre o problema, que se agrava no mundo
Uma em cada cinco pessoas - ou seja, 20% da população - é portadora de algum tipo de alergia, especialmente a alergia respiratória, de acordo com pesquisas realizadas no ano passado. De acordo com a médica alergologista pediatra Joaquina Maria Melo Correa, ligada ao Departamento de Medicina Preventiva da Unimed-Bauru, o principal motivo desse último tipo de alergia são as mudanças no meio ambiente, provocadas pela poluição, industrialização, mudanças no hábito alimentar, confinamento de crianças em creches ou a permanência por muito tempo dentro de casa em contato com animais, mofo, poeira, etc.. e, até, a interrupção precoce da amamentação natural.
Joaquina Correa, que é membro do Departamento de Alergia e Imunologia da Sociedade Paulista de Pediatria e associada da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI), afirma que existe uma preocupação mundial com a questão das alergias, que vêm crescendo por todo o Planeta. No Brasil, por exemplo, o dia 25 de maio foi escolhido como o Dia Nacional da Alergia, com o qual a SBAI quer alertar a população sobre o problema, que vem se agravando no mundo. A questão é que, além dos inconvenientes pessoais, as alergias atrapalham a produtividade das pessoas no trabalho e é a maior causa das faltas das crianças asmáticas nas escolas.
Além disso, há todo um estigma que acompanha o alérgico: de que possui cacoetes, ou que os pais pensam que é uma doença muito grave, que pode levar à morte. A alergia acaba trazendo inconvenientes para a pessoa que a desenvolveu. Por exemplo, alguém que tenha alergia na pele, além da coceira, que incomoda demais, sofre com o aspecto estético, que é muito comprometedor. Afeta muito psicologicamente, diz a médica.
O problema, diz Joaquina Correa, é que, além do crescimento da quantidade de pessoas que têm alergia, a gravidade da doença também tem aumentado, o que a comunidade científica no mundo todo considera alarmante. Uma pessoa com uma alergia respiratória, por exemplo, pode ter complicações e desenvolver doenças mais graves. Segundo a médica, o alérgico é muito mais vulnerável às doenças infecciosas, no órgão onde tem a alergia, do que as pessoas não-alérgicas.
As pessoas alérgicas acabam se cuidando, mesmo que inadequadamente, porque as alergias trazem inconvenientes, incomodam muito. Alguém que tem asma, por exemplo, termina por adotar algum tratamento, pois não consegue respirar, sente-se asfixiado. Alguma coisa (remédio) tomam , afirmou.
Prevenção
Joaquina Correa destaca que existem muitas pesquisas sobre o tratamento das alergias. Porém, o principal fator do tratamento é a prevenção, pois a alergia sempre é provocada por alguma coisa que a desencadeia. Se o desencadeante é conhecido, pode ser evitado, fazendo com que a pessoa fique bem, não sofrendo com as crises.
De acordo com ela, a busca pelos tratamentos depende da cultura da população, do nível educacional e do grau de conhecimento sobre a doença. A alergologista diz que as pessoas procuram uma forma de tratamento, que nem sempre é satisfatória.
A médica ligada à Medicina Preventiva da Unimed-Bauru diz que é importante procurar diagnosticar, o mais cedo possível, os indivíduos que têm pré-disposição alérgica. Isso permite delinear melhor as estratégias de tratamento.
Convivência
A médica ligada à Medicina Preventiva da Unimed-Bauru afirma que é possível o alérgico viver bem, sem sintomas, como se não tivesse o problema, levando uma vida normal. Segundo ela, existe um arsenal grande de medicamentos disponíveis para as diferentes doenças alérgicas, para melhorar os sintomas. Além disso, existe um outro grupo grande de medicamentos para prevenir, que ajudam o alérgico a se manter estável, sem crises.
Porém, destaca Joaquina Correa, o mais importante é a prevenção ambiental e alimentar, que são os cuidados com a casa, mantendo a higiene adequada para evitar os ácaros, mofo, animais e poluição, além de evitar a exposição à fumaça de cigarro, por exemplo, que é extremamente irritante para as vias aéreas. No caso das crianças, por exemplo, ou dos alérgicos que têm problemas com algum alimento, é importante fazer um diagnóstico que, hoje em dia, é mais acessível e mais fácil realizar do que antigamente. Depois, é evitar os causadores, destaca, recomendando que quem suspeita que possui uma alergia deve buscar ajuda de um médico para poder identificá-la e ter uma melhor qualidade de vida.
A alergologista afirma que é importante que a população esteja alerta e procure conhecer mais sobre a doença, se informando com os profissionais da Saúde. Para Joaquina Correa, é fundamental que o alérgico esteja disposto a mudar seus hábitos alimentares e no ambiente onde está, evitando exposição a infecções, principalmente nesta época do ano, que é a de maior incidência das doenças alérgicas.