Fazendo uma homenagem ao sambista Noel Rosa, a cantora e compositora bauruense Paula Vellozo faz show hoje, no Sesc
A cantora e compositora bauruense Paula Vellozo apresenta hoje, a partir das 21 horas, no Sesc, o show Noel, Rosa do Samba. A apresentação faz parte do projeto Na Roda, ou Chora ou Samba e é uma homenagem ao sambista Noel Rosa.
O espetáculo fará um breve apanhado na carreira do compositor, revelando ao público o ecletismo de temas presentes em sua obra.
Paula Vellozo, intérprete e violonista, atua há 18 anos em Bauru. Em 1998, seu CD Coração Mambembe, com músicas inéditas de autores de Bauru e região, foi selecionado para concorrer ao 11.º Prêmio Sharp de Música. No show de hoje, acompanham a cantora os músicos Cláudio Dias (percussão), Silvinho (bateria), Norba (contrabaixo) e Welington (saxofone).
Noel
Noel Rosa, ao lado do parceiro Ismael Silva, contribuiu significativamente para a evolução formal do samba. O samba que passaram a fazer, no início dos anos 30, se distingüiu daquele feito nos anos 20.
Essa forma mais domada e refinada - ritmicamente mais próxima do que hoje se reconhece como samba -, nasceu entre os sambistas do bairro do Estácio de Sá e se espalhou pelo Rio de Janeiro, graças, em grande parte, aos dois compositores.
Noel teve o raro senso de oportunidade para interagir com a matriz do samba carioca (o pessoal do morro, fornecedores da matéria-prima) e os nomes de destaque do rádio (os cantores Francisco Alves, Mário Reis).
Tinha trânsito fácil entre esses dois mundos. Desenvolveu a sua obra de 1929 a 1937, tornando-se a principal referência como compositor popular de seu tempo no Brasil. Indo além, funcionou como uma espécie de farol da canção que veio a ser feita nos anos seguintes e, desde então, até agora.
Poucos tiveram tanta influência na música nacional em toda a sua história. Noel Rosa foi referência básica para seus contemporâneos e seus sucessores.
Traduzindo tudo que lhe interessava para o universo da canção, ele abordou em seus sambas uma multiplicidade de temas. Isso deu à sua obra uma abrangência incomum.
Porém, a sua importância não se resume à amplitude do seu espectro temático, como também à complexidade e à profundidade no tratamento dos assuntos que elegeu.
Noel tratou da identidade nacional e, por extensão, do Brasil. Só que, ao contrário de um mestre do samba-exaltação, como Ary Barroso (Aquarela do Brasil), ele nunca foi exaltativo, mas crítico, chegando ao irônico e ao satírico.
De olhar aguçado para as mazelas da nação, inaugurou a linha da música de cunho social, com rigor formal e cursividade natural. Foi o ponto de partida do fenômeno de maior valorização do papel do compositor popular no universo da cultura brasileira.
Ufanista ele só foi quanto ao seu quintal, a Vila Isabel, e outros bairros como Estácio e Penha, onde o samba se desenvolveu e adquiriu parceiros.
Desses lugares esteticamente privilegiados, Noel fez a apologia à vida dos malandros. Sua visão se alinha aos códigos da malandragem. Há também o Noel amoroso, com sua lírica desconsertante, com lugar para o patético e o contraditório, assim como para o filosófico.
Suas canções de amor, que compõem a maior parte de sua produção, são permeadas pelo pessimismo e pela ironia (a auto-ironia inclusive). Algumas, como muita coisa que escreveu, são bem-humoradas; outras, cortantes, chegam mesmo a abordar a morte.
Em relação às mulheres, o sambista se mostra machista, de acordo com o espírito da época, mas sem deixar de amá-las com intensidade. Serviço
Noel, Rosa do Samba, com Paula Vellozo, hoje, 21h, no Sesc. Ingressos: R$3,00 e R$1,50 (estudantes e maiores de 65 anos). Grátis para matriculados. Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.