08 de julho de 2026
Geral

Extintores: duvide de preços milagrosos

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

Ao trocar o extintor de seu veículo é melhor procurar uma empresa credenciada pelo Inmetro, seja para comprar um novo ou um usado recondicionado (a base de troca). O preço pode ser um pouquinho mais alto, mas a qualidade é muito mais confiável. Saiba o que deve ter um extintor de acordo com a nova legislação do Inmetro, que entrou em vigor no início do mês

Rodar com o extintor vencido ou com o ponteiro no vermelho pode dar uma multa equivalente a rodar sem o equipamento, de R$ 127,69, mais cinco pontos na carteira de habilitação.

Por medo de uma multa aplicada num desses comandos da Polícia Militar de Trânsito ou da Polícia Rodoviária, muitos condutores desinformados acabam trocando o extintor de incêndio de seus veículos num posto de gasolina. Pagam cerca de R$ 7,00, quando não menos, para ter um novo extintor a base de troca. O que muitos, que já procederam dessa forma, não sabem é que, muitas vezes, o extintor que está sendo vendido como novo pode vir ser mais velho do que o que veio no carro no ano da compra. Quando isso acontece, o condutor pode estar levando consigo uma bomba que pode explodir a qualquer momento causando sérios e imprevisíveis acidentes. Outra hipótese, mais simples e não menos dramática, é que o equipamento simplesmente não funcione na hora de conter um possível início de incêndio. Mas como saber se o extintor que está sendo vendido à base de troca é confiável? A primeira dica é não comprar extintores a base de troca em postos de gasolina. Nunca se sabe a procedência O ideal, quando se trata de extintores, é fazer a manutenção anual numa empresa certificada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Elas são a garantia de um serviço bem realizado e confiável. Outra dica é fazer a manutenção anual e a revisão completa a cada cinco anos, sempre na mesma empresa, criando assim uma fidelização entre o cliente e a empresa que evitará que um engane o outro.

Mesmo assim, é necessário que o cliente atente para itens que devem constar no extintor, determinados pela nova legislação do Inmetro: o selo azul colado no cilindro, que comprova que a empresa é credenciada, e o anel amarelo de plástico no gargalo do extintor, com a data da última manutenção. Além disso, o consumidor não deve esquecer-se do termo de garantia.

Como no quinto ano de uso o extintor tem que passar por uma revisão completa, é comum que, na ocasião, os consumidores comprem um recondicionado a base de troca. Se a empresa seguir as regulamentações do Inmetro, não há porque se preocupar com a qualidade do produto. O preço do usado recondicionado é de cerca de R$ 10,00, com agumas variações. O cliente deve lembrar que comprando um usado terá que fazer a manutenção no ano seguinte. Cada manutenção anual custa cerca de R$ 6,00.

Já, se o cliente comprar um novo, sai ganhando, pois mesmo sendo um pouco mais caro (cerca de R$ 17,00), tem que levar em conta que a manutenção ocorrerá apenas no terceiro ano de uso. São R$ 7,00 mais caro mas com três anos de garantia, em que o cliente não gasta um tostão, afirma Valdeir Magrini, procurador de uma empresa credenciada pelo Inmetro, em Bauru, que está no mercado desde 1964.

Selo azul do Inmetro garante qualidade de extintores

Neste ano, a nova legislação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) dificultou qualquer tipo de fraude, até então comum, com os extintores de maneira geral, incluindo os extintores de veículos, que possuem peso de 1 e 2 quilos.

O Inmetro, para acabar com as falsificações e aumentar a segurança do usuário dos extintores, substituiu o antigo selo verde e amarelo, que funcionava como lacre dos extintores, por um novo selo azul, que é colado no cilindro. O novo selo azul tem como característica principal possuir marcas dágua visíveis através de leitor ótico, que tornam impossível qualquer tipo de reprodução por pessoas ou empresas mal intencionadas. O selo azul não é substituído na manutenção anual, e sim apenas numa manutenção mais completa, realizada no quinto ano de uso do aparelho.

O lacre de segurança do extintor passa a ser, agora, responsabilidade da própria empresa. Cada uma cria um lacre com identificação própria.

Além disso, outra medida foi a obrigatoriedade da colocação de um anel de plástico amarelo na parte superior do extintor, entre o cilindro e a válvula. O anel obriga que as empresas de manutenção de extintores façam a despressurização do cilindro a fim da verificação da qualidade do pó. Essa medida foi adotada em função de muitas empresas estarem somente trocando o selo e enganando os consumidores com relação a manutenção deste importante item de segurança dos veículos. O anel marca o dia em que a inspeção está sendo realizada.

De acordo com o assistente técnico do Inmetro, Valdir Ferreira de Carvalho, a inspeção anual que consta na legislação, não obriga que as empresas tenham que abrir o extintor. Trata-se, segundo ele, de uma inspeção apenas visual. Abrir ou não o extintor fica a critério da oficina. Nos casos em que o extintor fica solto dentro do porta-malas de modo que possa haver a danificação do manômetro ou da válvula, é claro que o mais indicado é abrir o extintor para fazer a correta manutenção, comenta Carvalho.

Para fazer a manutenção anual, os proprietários de veículos podem levar o extintor numa empresa credenciada pelo Inmetro. Em Bauru, de acordo com Carvalho, existem cinco empresas credenciadas.

No quinto ano, a garantia do pó químico, de que é constituído o extintor dos veículos, vence. Está na hora, então, de fazer a troca do pó, que é chamado de agente do extintor. Além do pó, o próprio cilindro tem validade de cinco anos, razão pela qual o extintor tem que passar por uma manutenção completa, ou seja, ele vai ser inteiramente desmontado e pintado. O manômetro e o próprio cilindro vão ser testados. Se forem aprovados no teste, o extintor pode ser remontado e entregue para o cliente.

Carvalho sugere uma dica importante para facilitar a vida dos usuários: a realização da manutenção anual e da recarga, a cada cinco anos, sempre na mesma empresa. Dessa forma, o proprietrário da oficina não tem como dizer que o pó não está bom por ser de outra oficina. É uma alternativa para o consumidor se proteger e acabar com a troca de pó todo ano, afirma.

Termo de garantia

Com a nova legislação do Inmetro, as oficinas e empresas de manutenção de extintores ficam obrigadas a fornecer o termo de garantia do serviço. Esse termo pode vir na forma de panfleto ou vir gravado no próprio cilindro do extintor. De acordo com Carvalho, o consumidor deve exigir o termo de garantia sempre. Embora no Código de Defesa do Consumidor conste uma garantia de 90 dias para os serviços realizados, a empresa pode estar oferecendo uma garantia maior, de um ano, por exemplo, comenta.

O anel amarelo garante a manutenção de fato

Antigamente, um selo verde e amarelo do Inmetro, no qual constava a data da recarga e o vencimento do teste hidrostático, era colocado na forma de lacre da válvula dos extintores. Muitas empresas de manuntenção expressavam a garantia do serviço no próprio selo.

Com a nova legislação, além do selo do Inmetro, que é azul e é colado no cilindro (não funcionando mais como lacre), é obrigatória a colocação de um anel amarelo no gargalo do extintor. O anel tem a função de comprovar que a empresa que fez o serviço de manutenção retirou a válvula, despressurizando o extintor. De acordo com Valdeir Magrini, procurador da uma empresa bauruense de manutenção de extintores, antigamente, existiam muitas empresas que trocavam o selo sem fazer a manutenção, enganando os clientes. Agora, como a data da manutenção vem gravada anel amarelo de plástico, a empresa é obrigada a tirar o anel. Para retirar o anel é preciso tirar a válvula, cuja retirada provoca a despressurização, obrigando a realização da manutenção, explica Magrini.