08 de julho de 2026
Geral

Anunciar sobre os telhados

Frei Lourenço M. Papin
| Tempo de leitura: 3 min

A Igreja celebra hoje seu 35.º Dia Mundial das Comunicações Sociais. João Paulo II escolheu como seu tema: Anuncia-o sobre os telhados: o Evangelho na era da comunicação global, inspirando-se em Mateus (10, 27), onde Jesus diz: O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia, o que vos é dito aos ouvidos, anunciai-o sobre os telhados. Na sua pedagogia de respeito à mentalidade do povo que o escutava, Jesus não podia transmitir sua mensagem senão num modo velado. Após sua ressurreição e a vinda do Espírito Santo, os apóstolos como que completariam sua obra evangelizadora anunciando sua mensagem sobre os telhados, ou seja, falando abertamente e sem nenhum medo.

Numa mensagem especial para este dia, João Paulo observa que no mundo hodierno, os telhados são quase sempre caracterizados por uma floresta de transmissores e de antenas que enviam e recebem mensagens de todos os tipos para todos os recantos e de todos os recantos da Terra. É vitalmente importante assegurar que entre estas inúmeras mensagens a Palavra de Deus seja escutada. Argutamente o Papa adverte que outrora eram os MCS que apresentavam os eventos, agora os acontecimentos são modelados a fim de corresponder aos requisitos dos MCS. O que não deixa de ser uma forma de manipulação interesseira. Lamenta o Pontífice o relativismo de certos MCS que consideram como única verdade absoluta aquela segundo a qual não existem verdades absolutas. Assim o que importa não é a verdade, mas a história; se algo é digno de notícia ou divertido, a tentação em deixar de lado as considerações da verdade torna-se quase irresistível.

João Paulo II faz veemente apelo aos cristãos para não ignorarem o mundo das comunicações sociais, pois os mass media são indispensáveis para a evangelização, para a transmissão de verdades e valores na defesa e na promoção da dignidade humana. Um grande desafio apresenta-se aos comunicadores cristãos: serem profetas, denunciando os falsos deuses e ídolos do nosso tempo, quais sejam o materialismo, o edonismo, o nacionalismo exagerado, etc. e anunciando a verdade plena que é Jesus Cristo.

Estamos na era de uma comunicação global que supera todas as fronteiras geográficas, que penetra em nossas casas pelos telhados, portas e janelas e que, quase sempre, desconhece a inviolabilidade e a privacidade do lar e das pessoas. Nem sempre a comunicação está permeada pela verdade moral e pela ética. Há comunicação objetiva de fatos e há comunicação manipuladora de fatos, a eles dando versões segundo a ideologia ou interesse dos comunicadores. Há comunicação que acintosamente viola o fundamental direito humano à reta informação ou que levianamente desrespeita a dignidade e a honorabilidade de pessoas e instituições. A comunicação deve ser livre sim, mas desde que não ultrapasse o limite da liberdade que se chama respeito.

Os instrumentos de comunicação social estão ao alcance de nossas mãos: TV, rádio, Internet, jornais, revistas, etc. Cabe-nos a responsabilidade ética de sermos receptores críticos de toda comunicação social. Nossa consciência cristã, o bom senso e a prudência devem moralmente nos orientar no vasto mundo da comunicação. Espírito crítico e precavido pode evitar o fácil e precipitado envolvimento nas múltiplas e variadas programações dos MCS. Uma tal postura do receptor humano é sinal de maturidade, personalidade e caráter. Nessa perspectiva ética e crítica, certamente estaremos colaborando para a humanização e cristianização da comunicação global do nosso tempo. (Frei Lourenço M. Papin)