09 de julho de 2026
Geral

Política da Assistência Social é tema de debate

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 2 min

Assistentes sociais e estudantes da cidade e de toda a região lotaram o auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Bauru, ontem, em um encontro promovido pelo Conselho Regional de Serviço Social (Cress) - 6.ª Delegacia. O evento, incluído nas comemorações do Dia do Assistente Social (15 de maio), contou com uma palestra com Aldaiza Sposati, professora da pós-graduação da PUC-SP e vereadora em São Paulo pelo PT, em seu terceiro mandato.

Aldaiza, que coordena o Núcleo de Pesquisa de Seguridade e Assistência Social, falou ao público sobre a importância da politização da classe no exercício da profissão.

Basicamente, diante de toda a crise que o País passa, social, econômica e política, qual é a inserção do profissional e os desafios hoje? Na verdade, a curva da relação entre pobreza e riqueza no Brasil não se altera, pelo contrário, a polarização vem aumentando a exclusão social. Isso mostra que os profissionais das políticas sociais têm de atentar para outros aspectos, principalmente o conhecimento da totalidade da população demandatária, conhecer o orçamento público e como ele é aplicado, disse Aldaiza em entrevista à reportagem.

Outro ponto lembrado com ênfase por ela foi quanto aos efeitos negativos na população - e no profissional que lida com a área das políticas sociais - da má distribuição de renda no País e da necessidade de atingir uma visão política mais abrangente.

A gente percebe que os governos brasileiros, principalmente o do País, não conseguem alterar a distributividade, isso é muito negativo. O assistente social acaba convivendo com as piores situações de violência e discriminação. Isso não será alterado somente com projetos locais, mas com uma política maior, o profissional tem que ter essa dupla dimensão, senão ele vai ter sempre o sentimento de que está fracassado. Ele não pode achar que, porque está trabalhando com este grupo ou com aquelas famílias, a situação será modificada, ainda que, claro que se possa se ter resultados individuais.

Sobre o encontro, a delegada do Cress em Bauru, Darlene Martin Têndolo, disse ter sido um evento importante para o esclarecimento da real função do assistente social, muitas vezes confundida com assistencialismo. Trata-se de um profissional que trabalha diretamente com as políticas públicas. É um trabalho que não pode ser confundido com assistencialismo, disse.