Certa vez, chegando o momento do início de uma apresentação, a grande atriz francesa do final do século XIX e início do séc. XX Sarah Bernhardt perguntou as horas a um dos seus camareiros. Serão 20hs quando a Madame quiser... respondeu-lhe o assistente, certo de que, dada à grandeza da artista, uma deusa para a época, a platéia esperaria pacientemente até que ela se dignasse a iniciar o espetáculo. Parece-me que tem sido esta também a visão da assessoria de imprensa da Prefeitura acerca do sr. Nilson Ferreira Costa. Calma, gente, o homem foi eleito prefeito e não canonizado...
Em nome da democracia, acatam as críticas, mas desconhecem meu direito de criticar, baseando-se no fato de eu ter servido ao governo anterior, do sr. Izzo Filho e de ter pertencido ao Fórum da racionalidade.
Trabalhei, sim, na administração Izzo. Isto é público e notório. Atentem bem: trabalhei, honrando meu salário (pequeno) e fazendo a contento aquilo que meus superiores determinavam e sem deixar de comparecer ao meu posto de serviço, seja na Sec. da Indústria e Comércio, Emdurb ou Cohab. Não tinha poder de mando ou direção. Meus cargos eram de confiança e eu honrei a confiança que em mim depositaram, fazendo o melhor. Quanto à minha participação no retrocitado fórum da racionalidade, não há também evidentemente o que negar. Fui membro ativo, defendendo pontos de vista que achava corretos à época, e atuando na defesa de uma administração, de um político do qual era partidário e no qual acreditei enquanto foi possível.
Entretanto, por mais errado que tenha sido (evidentemente na visão da assessoria de imprensa), trabalhar no governo Izzo e participar desta ou daquela entidade, jamais, nada e nem ninguém retirará de mim o direito, enquanto cidadão, trabalhador, morador desta cidade onde contribuo com meus impostos, de criticar, reclamar, espernear, gostem os ilustres escribas a soldo do sr. prefeito ou não! E mais: não se pode esquecer que o nosso atual prefeito foi vice do sr. Izzo, subiu nos mesmos palanques, referendou as mesmas promessas, avalizou o nome do cabeça de chapa; participou da mesma administração e, verdade seja dita, dela só se afastou porque não tinha peso ou espaço algum no Palácio das Cerejeiras e também à base da verdade, sua atuação à frente da Sebes foi completamente inócua.
O fato de ter sido eleito prefeito e de ter portanto o reconhecimento popular (pequeníssima margem) não o coloca e à sua equipe, acima do bem e do mal e nem tampouco o torna imune às críticas e aos reclamos da população. Pacificação e trabalho é sem dúvida um belo lema, mas até agora, ficou apenas na retórica. Eu, o Zé, a Maria, a população da cidade, queremos ver o trabalho. Cadê? Pra botar contas em dia, cumprir com as obrigações, etc, etc, qualquer guarda livros competente dá conta disso. Um prefeito, uma equipe que se coloca à frente da administração de uma cidade, precisa de algo além do óbvio; precisa de competência, de criatividade. Ou isto ficou restrito aos celulares, ao patinho, à cozinha municipal? Senhores, quando vierem a público, tragam-nos boas notícias, como as que estamos recebendo do DAE, onde a criatividade, a competência administrativa, a redução de despesas brevemente possibilitarão a reforma da ETA, por exemplo! E o aumento dos funcionários foi prometido sim, em campanha. Não dá para cumprir? Comecem reduzindo as despesas... um bom começo seria demitir os detentores de cargos em comissão nomeando funcionários de carreira para o lugar.
Consertem as ruas, tapem os buracos, limpem a cidade, tragam trabalho para a população... cumpram o prometido; ao menos trabalhem nesse sentido. Resultados: é isso o que a população quer e precisa. E eu nunca vou deixar de cobrar!
A propósito: Lady Sarah já morreu... não vão brindá-la com um acautele-se, cidadã... e quanto à isenção e respeitabilidade dos poderes Legislativo Judiciário, louvamos a Deus por isso e já estamos agradecidos por saber que brevemente a população será ressarcida de gastos exorbitantes com aparelhos celulares... (César Ferreira da Silva - RG. 22.514.670-8)