Quem passar pela Associação de Moradores da Vila Independência e Adjacências hoje, a partir das 13 horas, vai assistir à conjunção de duas modalidades distintas, fincadas nas raízes da cultura brasileira: a catira e a capoeira. Trata-se do batizado e troca de cordões da academia Volta do Mundo e do Grupo Caçula de Catira. O encontro é uma iniciativa da fotógrafa e jornalista Lueluí de Andrade, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Associação.
Estarão presentes, além da academia do mestre Vides de Deus, outros grupos de Bauru e de diversas cidades do Estado. Às 17 horas, acontece a apresentação de catira.
A academia, de jogo São Bento Grande de Angola, desenvolve treinos e rocas de capoeira na sede da Associação de Moradores às terças e quintas-feiras, das 20 às 22 horas.
Mestre Vides, que há sete anos ensina a arte em Bauru e joga capoeira há 26 , tem como lema a seguinte frase: O melhor golpe da capoeira é a humildade.
A capoeira, misto de jogo e dança, é uma arte que foi utilizada como luta na sua criação. Os estudiosos têm consenso em delinear seu surgimento no Brasil, inspirado provavelmente numa dança ritual trazida de Angola, no continente africano.
Os escravos negros a desenvolveram como defesa diante das crueldades impostas pela escravidão. As rodas de capoeira acontecem, atualmente, ao som de berimbaus, atabaques, pandeiros e agogôs, com variações rítmicas que orientam o tipo de jogo.
Já o Grupo Caçula de Catira se reúne, desde novembro de 1999, às terças-feiras, às 20 horas no Centro Cultural. Os ensaios e apresentações são promovidos pelo Clube da Viola (em atividade em Bauru há 12 anos).
Catira (do tupi dança) é uma manifestação da cultura popular, em geral, de origem rural, que ocorre nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Consiste em uma dança, com percussão de pés e mãos, ritmada, que acompanha modas de viola. A origem mais próxima no Brasil traz referência à herança européia, o que se vê pelo uso da viola caipira e semelhanças de sapateados em danças do continente europeu. Mas existem estudos apontando uma origem remota indígena, em que as batidas de pés se misturavam ao som de madeira (paus) percutida contra o chão.
Em Bauru, o Caçula conta com senhores com média de idade de 60 anos, que dançam o catira desde criança nos bailes rurais. A eles somam-se os aprendizes, que reúnem adultos, adolescentes e crianças.
O grupo, na sua formação original, existe desde a década de 1950 . Em 1958, recebeu o 1.º lugar num campeonato regional e executa a dança paulista acompanhando músicas de Vieira & Vieirinha, especialistas nas variações regionais do catira.
A marca das apresentações dos bauruenses tem sido a moda Fandango Mineiro, executada como despedida: (...) Chega prá cá rapaziada / Vamo riuni os forgazão/ Faz uma roda bem feita / No meio deste salão / É o úrtimo sapatiado, prá despedir da função..., dizem alguns dos versos finais.
Serviço
Batizado de capoeira e apresentação de catira, hoje, a partir das 13 horas, na Associação de Moradores da Vila Independência. Avenida Castello Branco, 13-15. Grátis.