08 de julho de 2026
Geral

Batidas, música e poesia

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

Banda pernambucana Cordel do Fogo Encantado volta a Bauru para mostrar sua música permeada de poesia popular, no Sesc

Eles são da pequena Arcoverde, porta de entrada do sertão pernambucano. A banda Cordel do Fogo Encantado teve sua origem num espetáculo teatral de mesmo nome, montado em 1997, que mesclava música e poesia e percorreria Pernambuco nos dois anos seguintes.

E, de certa maneira, pode-se dizer que música e poesia popular são os atributos principais do grupo que retorna a Bauru na próxima sexta-feira, em show no Sesc, desta vez com disco gravado debaixo do braço.

Em fevereiro de 1999, o espetáculo acabou virando show e o Cordel do Fogo Encantado se apresentou no Festival Rec-Beat, ao lado dos principais nomes da música pernambucana. Mesmo reformulado, o grupo manteve elementos cênicos e a literatura de cordel, além da música, como sua marca.

À primeira vista, a mistura soa como ousadia, mas o impacto dessa apresentação alçou o grupo à condição de uma das mais importantes revelações da nova cena musical pernambucana desde o surgimento de Chico Science & Nação Zumbi.

A partir de então a banda passou a se apresentar nas mais importantes cidades brasileiras, incluindo duas temporadas em São Paulo, além de apresentações junto a grandes nomes da música brasileira, como Tom Zé, Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio e Naná Vasconcelos.

Com esses shows, o Cordel conquistou a crítica e o público. Em pouco tempo, foi destaque na imprensa e televisão, entre eles, os programas Bem Brasil, Musikaos e Metrópolis, da TV Cultura, além das revistas Bravo!, Vogue e a Trip, que antecipou o lançamento do disco da banda, gravado a partir de setembro do ano passado, com produção do guru Naná Vasconcelos.

O resultado é um trabalho próprio de extrema originalidade, sem se preocupar com o resgate de tradições, pelo fato do grupo não ter perdido contato com a cultura de sua região de origem, que foi reconhecida, absorvida e identificada.

A sonoridade apóia-se em base percussiva forte, incorporando ritmos tradicionais do sertão pernambucano, como toré indígena (herança da tribo Xurucu), samba-de-coco, reisado e o candomblé.

A poesia sertaneja ganha destaque nos shows. Talvez a melhor definição do Cordel do Fogo Encantado seja de Naná Vasconcelos: O ritmo não se parece com nada do que a gente está ouvindo atualmente. Os meninos trazem consigo uma linguagem sofisticada, uma mistura rítmica que vem do interior e é popular por natureza. O som nasce da variedade da cultura nordestina, de seus cantadores e poetas populares. Mas o que o cordel faz não é folclore. Sua concepção artística está ligada à realidade histórica do País. É uma música que o Brasil precisa ouvir com atenção. As pessoas vão sentir falta de instrumentos convencionais, mas a força do Cordel do Fogo Encantado está na poesia e formação percussiva, com ritmo fora dos clichês.

O grupo vem com Lirinha (pandeiro e voz), Clayton Barros (violão e voz), Emerson Calado (percussão e voz), Nego Henrique (percussão e voz) e Rafa Almeida (percussão e voz).

Serviço

Cordel do Fogo Encantado, sexta, 1 de junho, 21h, no Sesc. Ingressos: R$ 5,00 e R$2,50 (matriculados, estudantes e maiores de 65 anos). Av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.