09 de julho de 2026
Geral

Projeto divulga preservativo feminino

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O resultado ainda não está computado, mas coordenadora afirma que a camisinha feminina vem tendo boa aceitação

Quarenta e seis mulheres da região Norte de Bauru estão participando de um programa experimental de prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), aids e gravidez indesejada. Essas mulheres estão usando a camisinha feminina, preservativo que pode ser colocado seis horas antes do ato sexual.

O programa está sendo desenvolvido desde o ano passado entre um grupo restrito de mulheres usuárias do Núcleo de Saúde do Parque Jaraguá, segundo a enfermeira Eliane Monteiro, coordenadora do programa municipal de DST/Aids. O grupo vem sendo monitorado. Queremos observar a aceitação por parte do casal. O resultado, ainda não computado. Dá conta de que há uma boa aceitação, disse.

Pelo último levantamento do Ministério da Saúde, Bauru tem 1.024 casos acumulados de aids desde 1980, quando foi notificado o primeiro caso. Deste total, cerca de 60% já foram a óbito. A partir de 1996, os coquetéis para tratamento da doença proporcionaram melhora na qualidade de vida e sobrevida dos pacientes.

Segundo a coordenadora do programa, o grupo começou com nove mulheres. Ampliamos para 25 e estamos com 46. O trabalho será ampliado. Vamos implantar na unidade de saúde do distrito de Tibiriçá e com profissionais do sexo, planeja.

A eficiência do preservativo, segundo a enfermeira, é de mais de 90%. A eficiência equivale ao preservativo masculino, não chega a 100%, mas é mais de 90%, disse. Eliane frisou que a camisinha feminina faz um trabalho triplo, pois proteje contrra DST, aids e gravidez indesejada.

O programa prevê a distribuição de dois mil preservativos. Vamos oferecer seis preservativos femininos e seis masculinos para cada participante do programa. Nossa idéia é que a utilização seja intercalada até a mudança de comportamento, explicou.

Profissionais do sexo

Convencer mulheres de programa a previnir-se das DST e aids é outro objetivo do programa de distribuição de preservativo feminino, de acordo com Eliane Monteiro. Observamos que as profissionais do sexo que atuam na região da avenida Nações Unidas, retiram preservativo masculino no Ambulatório de Saúde do Trabalhador, localizado nas proximidades. Queremos conquistar este público, oferecendo um acompanhamento de saúde integral. Vamos tentar implantar o uso do preservativo feminino, disse.

A intenção, segundo a coordenadora do programa, é fazer com que essa população, considerada mais vulnerável à aids, utilize o preservativo. Vamos implantar o serviço assim que conquistarmos este público. Vamos monitorar para saber qual a aceitação, disse.

Segundo a enfermeira, a meta para este ano é que 150 mulheres usem o novo preservativo. Ele é importado e mais caro que o masculino. Vamos ensinar as mulheres a usá-lo, para isso adquirimos pelvi de borracha e acrílico, para que elas aprendam a colocar, disse.

Ações de prevenções a DST/Aids

As novas ações de prevenção à aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, disponíveis à população mais vulnerável, foram discutidas em uma reunião da equipe municipal com a coordenação estadual. A coordenação estadual repassa as instruções do Ministério da Saúde, com quem a gente é conveniado, explicou a enfermeira Eliane Monteiro, coordenadora do programa.

As ações de prevenções, segundo ela, têm que ter o mesmo enfoque no Brasil todo. Neste ano foi priorizada a população mais vulnerável. Somos todos vulneráveis porque estamos expostos aos riscos. Mas existe algumas populações que são mais vulneráveis à contaminação pelo HIV, disse.

A prioridade para este ano são os usuários de droga injetável, mulheres e homens profissionais do sexo, pessoas de baixa renda em situação de rua e homens que fazem sexo com homens, que nem sempre são homosexuais, que podem ser bissexuais. Essa população de maior vulnerabilidade foi classificada através de alguns estudos feitos pelo Ministério da Saúde com as coordenações estaduais e municipais.

Na reunião, segundo a enfermeira, foi feito um levantamento do trabalho já realizado, o que pode ser implementado e o que pode ser melhorado. Dentro da população de usuários de drogas, nós acompanhamos um grupo de dependentes químicos na Divisão de Saúde Mental. Essas ações serão incrementadas, assim como com a parceria com a Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab), que fará um trabalho preventivo com homens que fazem sexo com homens.