Carteiros classificam proposta de reposição salarial discriminatória e no dia 5 farão protestos e votarão pela greve ou não
Cerca de 78% dos funcionários da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) ficariam excluídos do reajuste de 30% proporcionado pelas referências do plano de cargos e salários (steps), segundo a proposta de reajuste apresentada pela instituição. Isso quer dizer que, num grupo de cerca de 50 carteiros, apenas dois seriam beneficiados com o plano, sendo que a grande maioria, continuaria recebendo o salário original. O fato gerou grande revolta entre os funcionários, que organizados, através da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), participaram de uma plenária nacional na sede da Contag, em Brasília, para discutir uma pauta de reinvindições salariais.
A plenária, realizada nos dias 10, 11 e 12 deste mês, colocou em pauta a campanha da categoria pela reposição salarial e pela campanha emergencial, ambas realizadas todo ano. A luta dos funcionários dos Correios é pela reposição salarial com base na inflação, pela isonomia para as seis referências do plano de cargos e salários (que corresponde a cerca de 30% de reajuste) e pela participação nos lucros da empresa (PLR). De acordo com o carteiro e membro do conselho fiscal da Fentect, José Aparecido de Oliveira, a ECT teria publicado num boletim interno distribuído entre todos os funcionários a informação de que no mês de abril pagaria para todos o valor correspondente à participação nos lucros da empresa. Até o momento, no entanto, o pagamento não foi efetuado.
Oliveira conta que, no período da campanha salarial da categoria, a ECT antecipou uma parte do plano de cargos e salários para um setor da categoria composto por administradores, gerentes e economistas. Ou seja, apenas a alta cúpula da empresa recebeu o reajuste de 30% correspondente ao plano de cargos e salários. A discriminação ocorre em função dos pré-requisitos que a ECT colocou para que os funcionários se enquadrem no reajuste. De acordo com Oliveira e com o secretário de administração e financeiro da Fentect, Ademir Antônio Loureiro, esses requisitos são discriminatórios porque limitam o reajuste apenas a uma pequena parcela, enquanto que a grande maioria ficou a ver navios.
Prova da injustiça é que funcionários com mais de 15 anos de empresa ficaram com salários mais baixos que alguns que têm 10 anos (menos tempo) só porque estes se enquadraram dentro dos critérios predeterminados. Definiram 5% de reajuste para o restante do pessoal, mas estabeleceram uma série de critérios que atingiu a 22% da categoria, deixando o resto sem nada, afirma Oliveira. Os critérios adotados pela ECT, segundo ele, foram de avaliação de produtividade, escolaridade e de número de faltas ao trabalho.
A proposta apresentada pela ECT gerou uma revolta nos trabalhadores dos Correios do Brasil inteiro que, reunidos, definiram o calendário de protestos e reinvindicações, que culmina na greve nacional da categoria marcada para o dia 19 de junho. A greve ainda será votada em assembléia que será realizada no próximo dia 5. O dia será marcado por assembléias, passeatas e manifestações no Brasil inteiro. Se até o dia 5 a ECT não apresentar uma proposta que abranja toda a categoria, no dia 19 o País inteiro entra em greve, afirma Oliveira.
A pauta que está movendo toda a reivindicação da categoria é composta dos 30% de reajuste relacionados às seis referências do plano de cargos e salários, sendo que cada referência é de 5%, e o pagamento da participação nos lucros (PLR).
O acordo coletivo da ECT com a categoria termina, agora, no dia primeiro de agosto. Segundo Loureiro, a ECT quer que a Fentect entregue a pauta de negociações agora. Mas a federação decidiu entregá-la em somente em agosto. Nós vamos esperar o prazo expirar para que tenhamos como realizar nossas mobilizações, comenta Loureiro.
Privatização
O Governo Federal mudou, neste mês, o relator do projeto de privatização da ECT. Santos Filho (PFL-PR), tem agora o objetivo de agilizar a votação na Comissão de Ciência e Tecnologia. Em função disso, nesta semana, os membros da Fentect estarão realizando um seminário nacional em Brasília, com o objetivo de discutir a privatização. Os membros do Fentect conversarão com parlamentares a fim de realizar um lobby com a finalidade de tentar barrar a votação do projeto.
De acordo com Loureiro, no ano passado, o governo não conseguiu votar o parecer favorável na Comissão de Ciência e Tecnologia em função das mobilizações encabeçadas pela categoria. Através de manifestações e ocupações conseguimos protelar a votação, afirma Loureiro.