09 de julho de 2026
Geral

Racionar energia foi medida de guerra

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Receio de bombardeios motivou governo brasileiro a adotar apagões durante a 2.ª Guerra Mundial

Brasileiros nascidos após a década de 30, moradores das capitais, têm fresco na memória como é enfrentar racionamento de energia elétrica. É que a medida se tornou atitude rotineira do Governo Federal, durante a 2.ª Guerra Mundial, para economizar eletricidade e se precaver de possíveis ataques aéreos dos inimigos, no caso, os países do Eixo.

Em Natal (RN) e Recife (PE), por exemplo, os moradores, além de não ter energia elétrica durante a noite, tinham que pôr panos escuros nas janelas de suas casas para que nenhuma luz pudesse ser vista do alto, tamanho era o medo de ataques de aviões alemães.

Com o final da guerra, em meados da década de 40, a industrialização foi intensificada, impulsionando a implantação de usinas, sobretudo hidroelétricas, ao contrário de outros países, que investiam na termoeletricidade, com base no carvão mineral.

Seguindo tendência mundial, o Brasil continuou, nos anos 50, a construir usinas cada vez maiores, como forma de reduzir os custos de instalação e de geração. Isso, no entanto, não impediu que São Paulo vivesse um grande racionamento de energia em 1952.

Na década de 60, o Governo Federal criou as Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), com o objetivo de promover estudos e projetos de construção e operação de usinas geradoras, linhas de transmissão e subestações, destinados ao suprimento de energia elétrica ao País.

Até 1968, a Eletrobrás criaria várias subsidiárias, medida que não evitou nova crise de energia na região Sudeste. Entre 1962 e 1965, a população foi obrigada a participar de diversos racionamentos, que nos anos 70 foram estendidos aos Estados do Sul.

Os cortes de energia voltaram a ser adotados pelo governo na década de 80. Nesse período, tanto as populações das regiões Sul e Sudeste quanto a Nordeste sofreram racionamento.

Na década de 90, a ausência de investimentos no setor elétrico foi alardeada por muitos especialistas. Mesmo assim, várias cidades não escaparam do racionamento de energia elétrica, caso de Manaus (AM), que em 1997 ficava duas horas sem eletricidade diariamente.

Iluminação chegou a Bauru em 1911

A iluminação chegou a Bauru em 16 de março de 1911. O sistema era alimentado por uma usina de força construída pelo engenheiro J. J. Cardoso Gomes e seu primo, Raul Renato Cardoso de Mello, às margens do ribeirão Bauru.

Na época, as luzes ficavam ligadas até a meia-noite. Oito anos mais tarde, o sistema registrou o primeiro corte de fornecimento após uma tempestade, que culminou com a destruição da represa e da sala de máquinas da usina. A iluminação só voltou em 1920, com a extensão das linhas de Agudos até Bauru.

Na década de 30, apesar do maior fornecimento de energia, os blecautes eram comuns, em função dos raios que atingiam as instalações elétricas.

A estabilidade se tornou mais confiável após a inauguração de usinas mais potentes, como de Ilha Solteira e Jupiá, na década de 60. Juntas, as duas usinas formavam o conjunto de energia de Urubupungá, o segundo maior do mundo, relembra o historiador bauruense Gabriel Pellegrina.

O historiador recorda-se ainda de outro racionamento obrigatório, ocorrido há 30 anos. Na época, o apagão era realizado diariamente nos horários de pico de consumo, das 18 horas às 21 horas.

Nesse horário, começavam a funcionar os cinemas. As oficinas da Noroeste tinham que iniciar seus trabalhos a partir das 4 horas, conta Pellegrina, que é ex-ferroviário. Alguns meses depois, o problema foi solucionado com a extensão de uma linha especial para atender o setor da Estrada de Ferro Noroeste.