09 de julho de 2026
Geral

Furtos de boi tiram sossego em Agudos

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Cansados de levar prejuízo, proprietários rurais formam associação e tentam encontrar uma solução para o problema

Agudos - Propriedades rurais vêm se transformando, nos últimos tempos, em mais um alvo fácil para ladrões. Na região de Agudos, animais, principalmente bovinos, têm sido furtados com freqüência e o que é pior, tais crimes não vêm sendo esclarecidos a contento. Para tentar encontrar uma solução ou pelo menos minimizar os prejuízos, sitiantes e fazendeiros começaram a se unir. Na semana passada, eles criaram a Associação Rural de Agudos (ARA), através da qual pretendem mobilizar forças para enfrentar o problema.

A intenção, segundo Rosibel Maria de Moraes, integrante da ARA, é discutir não só a questão dos furtos de animais como também outros problemas que os proprietários rurais enfrentam no dia a dia.

Os furtos, segundo os proprietários, passaram a ocorrer com mais freqüência há cerca de um ano. No último mês, pelo menos 14 animais foram levados por ladrões que agem, geralmente, à noite. Num levantamento rápido feito ontem à tarde, a ARA calculou que nos últimos 30 dias foram furtados dois touros, sete vacas, quatro novilhas e um garrote, isso em propriedades diversas no município de Agudos.

No vizinho município de Borebi, que faz divisa com Agudos, um furto na semana passada, surpreendeu até mesmo a polícia. De uma só vez, ladrões levaram cerca de 60 animais. O delegado da cidade, Antonio das Neves, disse ontem que o caso está sendo investigado, mas até agora não há pistas concretas que possam levar ao autor do crime.

A ação dos ladrões está tirando o sossego dos proprietários rurais. As vítimas dizem que a impressão que se dá é que há pelo menos dois tipos de ocorrência acontecendo. Uma, onde supõe-se, exista uma quadrilha muito bem organizada, que chega à propriedade, com veículos apropriados e leva vários animais de uma só vez. Outra suposição é que pessoas sozinhas ou em pequenos grupos estejam agindo para consumo próprio. Às vezes, eles abatem no próprio pasto e levam só as partes que interessam, deixando grandes ossos, pés e cabeça, contam. Os ladrões agem friamente, não importando se o animal é de corte, de estimação ou leiteiro.

As seguidas investidas dos ladrões têm feito com que alguns proprietários invistam em mais segurança, seja contratando caseiros ou reforçando cercas. Uma das vítimas contou que está deixando a casa sozinha na cidade para ficar na propriedade rural, se revezando com o caseiro, na vigília sobre os animais.

Investigando

Se os furtos são motivo de prejuízo e insegurança para as vítimas, para a polícia, a questão também não deixa de ser um incômodo. Afinal, as cobranças por esclarecimentos são muitas e as pistas, ao que tudo indica, são poucas. O delegado titular de Agudos, Paulo Calil, disse ontem que os furtos de fato existem, mas vêm apresentando redução nos últimos três meses. Para Calil, por se tratar de um dos município mais extensos do Estado, até que as ocorrências não são tantas.

Mesmo assim, ele garante que a polícia vem fazendo tudo que está ao alcance para tentar evitar a ação dos ladrões, inclusive realizando rondas noturnas. Na delegacia de Agudos, um investigador foi designado só para cuidar dessas ocorrências.

Ações conjuntas

Durante reunião da ARA, na semana passada, os proprietários rurais discutiram a importância de uma mobilização de lideranças municipais e até regionais, visando melhorias no policiamento. Eles entendem que a disseminação de roubos e furtos está diretamente ligada aos problemas sociais do País, mas ressaltam também que alguma coisa tem que ser feita.

Outras reuniões da ARA devem acontecer nos próximos dias e não precisa ser necessariamente proprietário rural ou criador de animais para se integrar ao grupo. Os encontros, lembram os membros da associação, são abertos a todos.