11 de julho de 2026
Geral

Pesquisador: lâmpadas não ajudarão a economizar energia

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

As lâmpadas fluorescentes compactas (LFC) não ajudarão o governo a atingir a meta de diminuição global de uso da energia elétrica. A afirmação é do pesquisador e professor de pós-graduação em Engenharia Elétrica da Unesp (câmpus de Ilha Solteira), Carlos Alberto Canesin. Segundo ele, essas lâmpadas ajudam a diminuir o consumo em quilowatts-hora (kWh) indicado na conta de luz do consumidor que as utilizam. Porém, consomem mais energia para funcionar, o que faz com que não sejam um instrumento eficaz para atingir a meta governamental de reduzir o consumo total em 20%.

De acordo com o professor, que também é membro da Sociedade Brasileira de Eletrônica e Potência (Sobraep), é fácil entender porque a economia proporcionada pelo uso das LFC, conforme o governo vem enfatizando em suas campanhas, não é alcançada da maneira como vem sendo anunciada. Segundo Canesin, uma lâmpada incandescente com especificação de consumo de 60 Watts (cujo símbolo é W) - lembrando que W é igual à unidade de potência consumida - necessita de 60 VA (volt-ampéres, que significa unidade de potência gerada), que é transmitida e distribuída pela rede elétrica e integralmente processada pela lâmpada incandescente.

Já uma LFC de baixa qualidade, com especificação de 30 Watts, poderá necessitar de aproximadamente 70 VA do sistema elétrico para funcionar, considerando-se o mesmo nível aproximado de iluminação, gerando uma distorção no sistema. Segundo o professor, essa distorção é justamente a diferença entre a potência consumida (W) e aquela exigida do sistema elétrico (VA), definida como potência reativa.

Dessa forma, em parte o consumidor se sente beneficiado, pois sua conta de luz diminuirá em kWh, que é a unidade de medida do consumo de energia elétrica, mesmo necessitando de maior potência em VA do sistema. Porém, o uso das fluorescentes compactas não refletirá nenhuma economia para o sistema elétrico, pois o que interessa aos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia são os VA necessários para uma determinada carga e não os Watts consumidos. Além disso, a vida útil e o nível de iluminação dessas lâmpadas poderão ser inferiores aos que estão sendo divulgados. Isso quer dizer que os consumidores podem gastar muito dinheiro comprando essas lâmpadas e, mesmo assim, os apagões ou os feriadões poderão ocorrer, porque elas não são a solução mais concreta para economizar energia no que se refere ao modelo delas no mercado nacional, diz o professor.

Canesin explica que, com exceção dos reatores eletrônicos com potência acima de 60W, os reatores de baixa potência e as LFC - as mais utilizadas em escala doméstica - não possuem normas técnicas no Brasil. Em geral, uma parcela significativa dessas lâmpadas compactas são oriundas do mercado asiático e não atendem a diversos requisitos técnicos da Sobraep. Ou seja, essas lâmpadas e os reatores eletrônicos para lâmpadas fluorescentes que estão no mercado nacional, infelizmente são de baixa eficiência energética, porque não existem normas técnicas reguladoras. Além disso, boa parte delas não é recomendada pelo Inmetro, afirma.

Além da questão do consumo, o professor e pesquisador Carlos Alberto Canesin diz que a parcela de potência reativa, que resulta da diferença entre a potência fornecida em VA e a consumida em Watts pelas lâmpadas fluorescentes, pode resultar em diversos outros problemas na rede elétrica. Entre eles estão o aquecimento dos fios, mau funcionamento de equipamentos elétricos ou sua avaria. Choques inesperados também podem ocorrer, segundo o professor, principalmente se uma quantidade significativa de lâmpadas fluorescentes de baixa qualidade forem instaladas em um local em que a rede for trifásica.