07 de julho de 2026
Geral

Para o que der e vier!

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Seriam unicamente a assustadiça crise energética e a avalanche da corrupção as principais preocupações do presidente Fernando Henrique Cardoso? Acredita-se que não, pois muitos outros problemas sérios estão aí presos na malha de suas atenções, conforme diagnosticam alardeantemente vários de seus ministros e demais assessores diretos. É incontestável o enorme peso de ambas as cargas que tanto sacodem a balança das energias do chefe do Governo, pois os reflexos da onda da desmedida corrupção, existentes de um lado, e os dos apagões que já vêm amedrontando terrivelmente toda a coletividade brasileira, são, realmente, de mexer com as coronárias de qualquer um, bem mais as do sexagenário presidente. Mas, pensando bem, não poderiam ter assim impactos tão violentos para levar Fernando Henrique a manter o queixo (JC 22/5) emotivamente sustentado pelas mãos e a fechar os olhos para não ver as nuvens negras que ameaçam desaguar em seu derredor. Entender-se-ia isso mais como posicionamento fotográfico, encomendado ou não? Sim ou não há que se acreditar na sinceridade do homem, mesmo porque está ele também ciente e consciente dos grilos do atual quadro político do País, imensamente agravado com os violentos atropelos que estão desmoralizando o Congresso Nacional e, por vias indiretas, a desmantelada classe política, principalmente a faixa que dá sustentação ao dirigente do Executivo. Não é por outra razão que o chefe da Nação está por aí considerando publicamente o atual como o pior momento político da sua meia-dúzia de anos de mandato ininterrupto. Chega, então, a temer que a aliança que o mantém nas rédeas do Governo não possa escapar ao iminente perigo de uma total implosão partidária, o que seria fatal para sua continuidade no Planalto até o final dos tempos... Então, se grande é a preocupação do dirigente, não se pode deixar de admitir que ela não bata também às portas da população, que não pode deixar de ver nela um sintoma desagradador da normalidade democrática do País, pela qual teme profundamente face aos perigos que a sua ingestão traria ao organismo nacional. Mas nem por tudo isso precisa a população imitar a postura melancólica de FHC, segurando os queixos com as mãos e fechando os olhos para o que der e vier, ou seja, por aquilo que possa aparecer em função das nuvens negras... É a nossa opinião.