Por ocasião da realização da 1.ª Plenária Popular de Bauru, para discussão sobre enchentes, erosões, buracos e asfalto da cidade, após um intenso trabalho de várias outras reuniões com as associações de moradores, apresentamos essa que é uma das nossas propostas desenvolvidas ao longo desses últimos quatro anos, através da realização dos Planos Diretores Populares de Bairros, em trabalho junto à Unesp e em conjunto com algumas dessas associações, e que entendemos ter evidenciado durante o debate com o Poder Público na sede da OAB, uma questão central e estrutural que tem impedido o Poder Público ao longo dos anos de solucionar a contento boa parte desse problema em nossa cidade.
Propusemos, através da proposta da realização dos Voç-Parques - (uma referência às voçorocas, ou grandes erosões urbanas), uma mudança de paradigma, sem a qual dificilmente se atingirá soluções adequadas para esses bairros, ou seja: hoje o Poder Público usa da desculpa e justificativa de que não possui orçamento, nem equipamento e nem mão-de-obra para solucionar essas questões, ao mesmo tempo em que se vangloriou de que está realizando diversas obras através de sistema de contratação de empresas privadas. Percebemos e evidenciamos no debate que a grande questão está em primeiro se ter hoje uma compreensão do problema muito limitada, achando que as grandes erosões dizem respeito apenas e potencialmente à Secretaria de Obras, o que impede a visão dos gestores de um olhar mais aberto e os limitam a não olhar para fora no universo das demais secretarias como a de Educação, Saúde, Meio Ambiente, Lazer e Esporte, Planejamento, Bem-Estar Social, Secretaria das Administrações Regionais, Desenvolvimento Econômico, Finanças, Agricultura etc., dessa forma esses órgãos acabam por virar as costas ao problema e não participam de suas soluções.
O que propomos e que vimos discutindo nos bairros é que o tratamento criativo e econômico dessas erosões pressupõe não apenas a contenção ou aterramento da erosão, o que é caro e de certa forma solução burra, mas o seu tratamento e recuperação para a realização de obras de lazer, de escolas, de saúde, de produção econômica de alimentos e formação de cooperativas, de execução de creches, de criação de parques, de socialização da comunidade etc. Ou seja, é concentrar esforços de todas as secretarias, nas regiões urbanas que possuem o problema, para que naquele espaço de chão hoje verdadeiro limão tire-se solução bela e econômica, verdadeira limonada.
Assim, desse esforço concentrado e integrado das secretarias, logicamente que não se terá mais as desculpas orçamentárias de uma delas, nem de máquinas e nem de mão-de-obra, pois não se precisará de nada extra, mas sim a convergência de ações no espaço, que em tese já vem sendo realizada de forma dispersa e isolada segundo o que os representantes do Poder Público informaram.
Por fim, esta convergência de esforços, marcadas pelos Voç-Parques, trará para Bauru, a realização de centros de bairros, que valorizarão urbanisticamente nossa cidade, ao invés do que acontece hoje de que as ações das secretarias municipais são fragmentadas e dispersas no espaço da cidade, não se dialogam e criam dispersão dos equipamentos, colaborando para criar uma cidade labirinto, sem grandes marcos e referências coletivos, o que colabora para a não-formação de uma identidade coletiva, desagregando as pessoas, ampliando a insegurança, diminuindo a coesão social.
Os Voç-Parques podem ser realizados em regiões como a da Pousada da Esperança e adjacências, Santa Edwirges e adjacências, Vila Industrial e adjacências, Jardim Europa e adjacências, Parque Bauru e adjacências, Bauru 2000, Mary Dota, Beija-Flor e adjacências, Jardim Jussara, Vila São João e adjacências; sem precisar de grandes e novos esforços, principalmente econômicos, bastando integração, inteligência e entusiasmo em administrar com criatividade em favor dos mais sofridos e necessitados. (José Xaides de Sampaio Alves - RG: M. 1590313)