08 de julho de 2026
Geral

Mergulho em Ilha Grande

(*) Mario Sérgio Campos
| Tempo de leitura: 6 min

Localizada na região Sudeste, Estado do Rio de Janeiro, no município de Angra dos Reis, a Ilha Grande possui uma área de 193 km 2, contorno acidentado com 34 pontas, sete enseadas e 106 praias.

De topografia montanhosa e vários picos sendo os de maior altitude o pico da Pedra Dágua, com 1031 metros e o Pico do Papagaio, com 982 metros, a ilha está totalmente tomada pela floresta tropical, densa e exuberante, sendo ocupada em grande parte pelo Parque Estadual da Ilha Grande e pela Reserva Biológica da Praia do Sul.

Cortada por várias trilhas que levam a lugares deslumbrantes, Ilha Grande é um dos pontos mais badalados para as práticas esportivas e ecológicas, como pesca, caminhadas, surf, ski aquático e o melhor de todos , mergulho. E foi com esse objetivo, que nosso grupo, formado por um animado time de 20 mergulhadores, saiu de Bauru em um ônibus fretado indo até Angra dos Reis para um live aboard(mergulho embarcado) de dois dias no barco Luz do Dia.

Sob o comando de Paulo Zaparolli, Christina Sampaio, Beto Lima e Henry Lousada, da Aquasports, embarcamos com o tempo virado pela ressaca que estava acontecendo no Rio de Janeiro.

Apesar do tempo feio, todos estávamos muito animados pelo fim de semana de folga e torcendo para abrir o sol. Saindo do Porto de Angra, o Luz do Dia foi cortando as águas do canal em direção a Ilha Grande. Apesar da marola, foi servido um farto café da manhã, onde todo mundo matou a fome de uma noite mal dormida.

Batismo e socorro no mar

Aportamos ao largo da ilha, na Enseada dos Macacos para o primeiro mergulho. Além do turismo, essa viagem à Ilha Grande tinha como objetivo também realizar o check out dos mergulhadores básicos (o tradicional batismo), dos avançados e rescue driver.

Apesar do frio e da garoa fina, todo mundo se equipou para cair na água o mais rápido possível. Felizmente, a temperatura da água estava ótima, 26 graus, e acabamos fazendo um mergulho confortável, mas com muita suspensão, o que não deixava a visibilidade passar de seis metros. Mesmo assim, vimos muitos peixes, como garoupinhas, baiacus, frades, peixes trombetas.

O gostoso do live aboard, além dos mergulhos é claro, é toda a infra-estrutura que está à sua disposição. Você sai da água com frio e tem um chocolate quente te esperando, se der fome, uma pizzinha quentinha, sanduíches, enfim um spa de engorda. Depois de um farto almoço o tempo continuou fechado, e o melhor que todos fizeram foi tirar um cochilo, tocar violão e curtir o visual da ilha, que mesmo com chuva é linda.

Lá pelo meio da tarde, São Pedro teve dó da nossa turma e o tempo começou a abrir, deixando o sol brilhar, emoldurado por um céu azul turquesa. Foi o bastante para todo mundo se animar a cair na água de novo.

O capitão levoum então, o Luz do Dia até outra enseada chamada Alvo, e lá fizemos o nosso segundo mergulho do dia. Felizmente a água tinha limpado, a temperatura se manteve a 26 graus e os peixes apareceram aos montes. O dia bonito cedeu lugar a noite e uma lua cheia veio completar aquele dia cheio de surpresas.

Com lua cheia, o mergulho noturno fica ainda mais bonito. Munidos de lanternas subaquáticas, fizemos um mergulho maravilhoso, peixes papagaios, polvos e uma coisa que até então nunca tínhamos visto, um cardume com mais de 100 peixes voadores, todos com suas asas azul turquesa abertas nadando no meio de todos nós. Só isso valeu o mergulho.

Ao final, apagamos nossas lanternas e só o luar iluminava o fundo do mar; chacoalhando a água, o fitoplâncton encheu de pontinhos verdes fluorescente tudo ao nosso redor. Só quem mergulha sabe o quanto isso é bonito. Nessa noite depois de banho tomado e um belo jantar, comemoramos o aniversário de nosso amigo Beto Lima, com direito a bolo da Doceana, chopp e muitas rodadas de truco e um violão ao som ambiente.

O segundo dia amanheceu bonito com sol, céu azul, mar limpo e uma ilha verde e bela como pano de fundo. O primeiro mergulho do dia foi com o pessoal que estava fazendo check out de básico. Zappa e Chris, desceram com o grupo para complementar os exercícicos que já tinham sido iniciados no dia anterior e que os credenciariam a se tornar mergulhadores.

Nesse mesmo lugar eu e Walter, complementamos também nosso check out de rescue diver, que nos credenciaria a realizar salvamento de mergulhadores em alto mar, bem como aplicar os primeiros socorros a vítimas de qualquer acidente.

Depois de todas as provas, o capitão levou o barco até o naufrágio Pinguino. Localizado no centro da enseada do Sítio Forte, esse navio era um graneleiro que transportava cera de carnaúba e afundou em 1967. Ele entrou na enseada da Ilha Grande já em chamas devido a uma pane no gerador. Ele está pousado no fundo de boreste com a proa direcionada para a esquerda da enseada. Os três portões (dois de proa e um de popa) estão abertos. Existe um grande rombo no costado de bombordo que se abre no compartimento dos motores. Desta abertura podem ser atingidos os dois porões de proa, com passagem apertada e de difícil acesso e o porão de popa com passagem fácil. Todas as portas e vigias estão abertas, podendo ser feita a penetração pela sala de comando.

O navio como descrito está inteiro e ainda podem ser visto os chinchos (3), cabeços de amarração (6), secção de mastro, motor a diesel, proa, popa, casario. Este é um mergulho onde se deve ter bastante cuidado, pois algumas partes do navio já estão se desmantelando. Para fazer a penetração nele é preciso que o mergulhador tenha curso de especialização em naufrágio. Após esse mergulho, almoçamos e fizemos a digestão tomando sol e curtindo o visual da ilha.

Lá pelo meio da tarde nos dirigimos ao ponto onde faríamos o último mergulho daquele fim de semana, a Laje Branca. O vento estava forte, e o mar com muita marola.

Mergulho a 17 metros

Apesar disso, mergulhamos a 17 metros. A visibilidade com o mar mexido estava menos de dois metros. Mal conseguíamos enxergar o mergulhador a nossa frente. Foi preciso que o Zappa, sinalizassse o percurso com uma carretilha, para ninguém se perder.

Insistimos um pouco indo até os rochedos da laje, mas ficou impraticável. Voltamos, procurando pela linha da carretilha, com visibilidade quase nula e por muita sorte o Walter conseguiu localizá-la. Quase todos já estavam com ar próximo do final, principalmente pelo esforço físico de nadar contra a corrente e o nervosismo. Fizemos uma parada de segurança de três minutos a três metros, e para relaxar, Henry tirou sua lousa e propôs um jogo da velha, para passar o tempo, o que aliviou a tensão do grupo, que estava com a adrenalina a mil.

Depois de um banho quente e um almoço pra lá de bom, foi com tristeza que arrumamos nossas bagagens e tralhas de mergulho para irmos embora. Chegamos ao porto de Angra no final da tarde e o ônibus já nos esperava para nos trazer de volta.

A equipe da Aquasport, liderados pelo Zappa e Chris com experiência de vários anos formando mergulhadores e realizando saídas de mergulho em Bauru, nos proporcionou um fim de semana incrível, em um barco com todas as mordomias, uma turma animadíssima, em um lugar belíssimo como a Ilha Grande.

Voltamos para Bauru cansados, mas com as baterias recarregadas e a certeza de que novos mergulhos virão por aí.

(*) Mario Sérgio Campos é publicitário