08 de julho de 2026
Geral

Associação quer locomotivas em museu

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Entidade recorreu ao Ministério Público Federal para garantir a doação, sob pena de cancelamento de leilão

A Associação dos Amigos dos Museus de Bauru protocolou, ontem, no Ministério Público Federal, uma representação para garantir que a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) faça a doação de três locomotivas elétricas à entidade. Os equipamentos, modelo General Electric e desativados há dois anos, são remanescentes da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa) e serão leiloados, em breve, como sucata.

O documento, assinado pelo presidente da associação, Fábio Pallotta, e pela vereadora Majô Jandreice (PC do B), pede ao Ministério Público que cancele o leilão de venda caso a RFFSA resista em doar as locomotivas à entidade. As máquinas, importadas dos Estados Unidos a partir de 1940, trafegaram por mais de meio século nas linhas da ex-Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

A notícia do abandono e do sucateamento das locomotivas, encostadas no pátio de Triagem Paulista, foi veiculada na edição do último dia 20 do Jornal da Cidade. A matéria denunciou o descaso da RFFSA em relação aos equipamentos, abandonados ao relento, sob constante ação de vândalos e marginais.

A Associação dos Amigos dos Museus de Bauru solicita a doação de três modelos de locomotivas. O primeiro ficou conhecido como V-8. O apelido, dado pelos ferroviários, é uma alusão aos modelos Ford V-8 da década de 40, cujo párabrisas são separados por uma coluninha de aço. A parte frontal da máquina apresenta as mesmas características do veículo.

O segundo modelo solicitado pela entidade ficou conhecido como Russa. Trata-se de um lote de locomotivas encomendado pela União Soviética à General Electric no início dos anos 50. O governo norte-americano exigiu que o negócio fosse desfeito porque as relações entre os dois países estavam desgastadas com a Guerra Fria. Nos eixos dessas máquinas está fundido o simbolo do comunismo: a foice e o martelo. Daí o apelido de Russa.

O terceiro modelo requisitado pela entidade é o que ganhou o apelido de Wanderléia. As rodas desse equipamento são altas e sem carenagem, uma alusão às minissaias da cantora da Jovem Guarda. No total, 25 locomotivas elétricas devem ser leiloadas pela RFFSA. Se estivessem em bom estado de conservação, essas máquinas valeriam cerca de R$ 20 milhões.

Fundação

Antes de se consumar o processo de liquidação da RFFSA, a estatal vai criar a Fundação de Preservação da Memória Ferroviária, que se encarregará de cuidar e manter o patrimônio histórico das ferrovias privatizadas. Segundo Pallotta, a representação encaminhada ao MP Federal solicita que as locomotivas componham os itens da fundação, que deverá ter uma ramificação em Bauru.

O presidente da entidade avalia que Bauru merece ter a guarda desses equipamentos, afinal o Município foi um dos mais importantes entrocamentos ferroviários do País, chegando a abrigar três companhias: Estrada de Ferro Sorocabana, Companhia Paulista e Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

Pallotta informou que já está pronta a minuta de um convênio que será assinado entre a Prefeitura Municipal, Ferrovia Novoeste S/A e a Associação dos Amigos dos Museus. O objetivo do acordo é recuperar a locomotiva a vapor 278 e seus históricos vagões de madeira, todos do início do século passado.