Empresas de Internet dizem que redução solicitada de 15% no consumo de energia não será alcançada. Abranet negocia
Os provedores de acesso à Internet estão numa situação muito difícil diante do plano de racionamento de energia elétrica. Segundo a Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet), a maioria das empresas não terá como reduzir o consumo em 15%, baseado nos níveis do ano passado, conforme o governo exigiu.
Todos os provedores de Bauru consultados pela reportagem confirmaram a inviabilidade de atingir a meta. Diante disso, a Abranet vem tentando negociar com o governo uma redução baseada no consumo deste ano e uma taxa inferior a 15%.
Na Travelnet, a gerente de comunicação da empresa, Luciane Miranda de Faria, diz que foi implantada uma política interna de racionamento. Porém, dificilmente será possível atingir a meta estipulada pelo governo. Os estudos feitos pela empresa indicaram que, no ano passado, o provedor teve um aumento de consumo da ordem de 40%. Isso significa que, para atingir a meta do governo, seria necessário reduzir o consumo de energia em torno de 44% sobre o volume atual. Porém, a estimativa é de que poderá ser alcançada uma redução de apenas 18% da conta atual da empresa. É praticamente impossível atingir o objetivo do governo porque o provedor funciona 24 horas, possui gastos de energia que não podem ser eliminados e, além de tudo, teve um crescimento expressivo no último ano, diz Luciane.
Entre as medidas caseiras, já está sendo feito o que é possível, segundo a gerente, toda a iluminação externa está sendo mantida desligada; em algumas áreas internas da empresa houve redução de 50% das luminárias ativadas e, em outras, diminuição de 30%; o ar-condicionado na área de produção da empresa foi reduzido em 30%; os computadores são desligados enquanto não estão sendo utilizados, entre outras ações.
De acordo com Luciane, com essas medidas administrativas, será possível reduzir o consumo de energia em torno de 20%. Os outros 22% restantes necessários de serem atingidos, segundo o estudo feito para a empresa, já se sabe que não conseguirão ser alcançados, afirma a gerente de comunicação da Travelnet. Além de tudo o que já está sendo feito, a partir da próxima segunda-feira, a empresa passará a atender ao público das 8 às 18 horas. Atualmente, o atendimento ocorre das 8h30 às 18h30.
Na Kaizen Net Providor, empresa afiliada do UOL para Bauru e região, o diretor Maurílio Uemura Shintati diz que os serviços aos usuários estão garantidos. O provedor conta com geradores de energia, que eliminam o risco de interrupção dos serviços se houver apagão. Em relação à economia de energia, Shintati confirma a impossibilidade de conseguir alcançar a meta estipulada pelo governo. Existe uma pesquisa estatística que mostra que, no último ano, o número de usuários da Internet teve um crescimento de aproximadamente 100%. Então, só através dessa estatística fica claro que é extremamente difícil para os provedores conseguirem racionar energia se eles tiveram um expressivo aumento na quantidade de clientes de um ano para cá. A nossa situação não é diferente disso. A meta é atingir a determinação do governo, mas, isso é muito complicado porque o nosso serviço é 24 horas e o número de equipamentos da empresa aumentou, diz.
Reduções impossíveis
De acordo com Shintati, as reduções de consumo energético estão sendo feitas na medida do possível para um provedor de acesso à Internet. Em sua empresa, a iluminação foi equacionada para deixar ativadas somente as luzes essenciais, luminosos externos estão ficando desligados à noite, o ar-condicionado permanece ligado somente nos setores vitais, para garantir a vida últil dos equipamentos, entre outras medidas. Porém, segundo o diretor da empresa, isso é muito pouco para alcançar a exigência do governo.
Airton Caetano, diretor comercial dos provedores Adaptanet e Netalfa, afirma que será impossível para as empresas da área alcançarem a redução que está sendo solicitada pelo governo. Ele participou de uma reunião da Abranet, anteontem, que está discutindo outras possibilidades, tentando negociar com o governo a concessão de algumas exceções e outros níveis de redução do consumo. Segundo Caetano, nas empresas que administra ele acredita que será possível atingir uma redução no consumo energético, da área principal do provedor, em torno de 9%. As medidas caseiras já estão sendo adotadas, segundo o diretor.
De acordo com Caetano, no caso de um apagão a empresa conta com um nobreak que possibilita manter a estrutura principal do provedor no ar por volta de quatro horas. Os pequenos provedores têm investido no nobreak com bateria, porque é difícil para essas empresas comprar geradores de energia. Os grandes possuem data-center. Porém, o essencial é manter os servidores no ar para que os e-mails e as páginas (da Internet) sejam preservadas. Em Bauru, por exemplo, se houver blecaute os nossos usuários locais também não poderão utilizar a Internet. Porém, o mundo inteiro estará enviando informações para os meus usuários em Bauru e eu não posso perdê-las. Então, preciso manter a minha estrutura básica funcionando, o que será feito, no nosso caso, através do nobreak, diz.
De acordo com informações divulgadas pela Abranet, que está tentanto negociar a redução da taxa de 15% junto à Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, cerca de 80% dos gastos com energia dos provedores vêm de computadores e outros equipamentos que precisam ficar ligados 24 horas sob refrigeração. A única margem para redução do consumo seria na área administrativa, em torno de 20%, segundo a Abranet.