Megaprodução que estréia hoje nos cinemas de Bauru usa a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo para uma grande paixão
Poucos se aproveitam tão bem de uma guerra como o cinema norte-americano. Por isso, todos sabiam, o ataque surpresa a Pearl Harbor em dezembro de 1941 não demoraria a ser explorado com todo o exagero e barulho que lhe cabe.
O que talvez não se soubesse é que a missão seria entregue às lentes mais extravagantes e explosivas da indústria, a da dupla de piromaníacos Michael Bay/Jerry Bruckheimer, diretor e produtor responsáveis por filmes como Armageddon e A Rocha e que juntos já arrecadaram mais de US$ 1 bilhão em bilheteria.
Some-se a esse número Pearl Harbor, que estréia hoje em Bauru, nos cines Center 1 e Bauru 1 (confira horários na página 31), e em apenas três dias faturou US$ 75 milhões nos Estados Unidos, menos apenas que a abertura de Jurassic Park - O Mundo Perdido, em 97.
Famosos por inundar a tela com testosterona, explosões e cenas espetacularmente barulhentas, eles aumentaram a dose aqui, mas não sem antes tentar conquistar o público feminino, intercalando o show pirotécnico com um improvável triângulo amoroso entre o menino dos olhos da dupla, Ben Affleck, e os desconhecidos Kate Beckinsale e Josh Hartnett. Mais ou menos como em Titanic, com a diferença de que aqui mais de um navio foi magnificamente afundado. Quem espera por uma aula de história, vai se dar mal, advertiu Bruckheimer, em entrevista à reportagem entre goles de café em um hotel no Havaí. Se você quer saber o que de fato aconteceu em Pearl Harbor, deve comprar um livro, disse.
A verdade é que só falta uma coisa na carreira desse homem de 55 anos que explode coisas com majestade, mas parece não conseguir fugir de clichês e personagens estereotipados: respaldo crítico. Enquanto isso, satisfaço-me entrando nas salas de cinema e observando a reação do público a meus filmes. Vê-los rir, chorar, vibrar é suficiente. Afinal, parece que não é possível ser o rei da bilheteria e da crítica ao mesmo tempo. Desta vez, a ousadia da dupla levou a megaprodução de US$ 140 milhões ao Havaí, onde o ataque foi, com autorização da Marinha, quase literalmente repetido ali mesmo no porto onde tudo aconteceu 60 anos atrás. Michael, propositalmente, não nos nos explicava exatamente o que aconteceria nas cenas de ação e, como a grande maioria das explosões vistas na tela são reais, nosso pânico também é, contou Affleck à reportagem.
Em uma das cenas, ele me pediu para correr do ponto A ao B e disse que veículos e prédios ao meu redor seriam bombardeados. Digitalmente, certo?, perguntei. Antes de responder, ele gritou ação e tudo foi pelos ares. Nunca fiquei tão assustado na vida, disse ele, que a princípio havia recusado o papel por estar comprometido com uma produção que acabou sendo cancelada. Quando li o roteiro, fiquei tentado a aceitar, mas, depois de Armageddon, não sabia se deveria fazer um outro filme de ação desse porte. Foi quando pedi para que Gwyneth (Paltrow, na época sua namorada) lesse o script e me ajudasse a decidir. Ele conta que Paltrow chorou ao passar pelas cenas finais e disse que ele seria maluco se recusasse. Mesmo assim, Affleck resolveu dar mais um telefonema. Harrison Ford também falou categoricamente que eu deveria aceitar. Até Affleck se juntar ao elenco, o protagonista da história era Hartnett, que foi então transferido do vértice para a base do triângulo amoroso.
Só que o galã preferido de Bruckheimer não sabia que teria de enfrentar a real fúria militar antes de iniciar as filmagens. Ele e Hartnett foram obrigados a passar uma semana em treinamento intensivo, limpando latrinas e acordando com jatos dágua às 3h para fazer exercícios. Pensei seriamente em fugir, disse Hartnett. No final, entre mortos e feridos, salvou-se a reputação pirotécnica de Bruckheimer e Bay; eles podem não ter conquistado a crítica, mas certamente estamparão alguns milhões de dólares a mais em seus currículos.