Comparação com 2000 mostra aumento dos registros de casos de autoria desconhecida, que em 4 meses chegaram a 4.531
Dados estatísticos da Polícia Civil de Bauru mostram que, em média, 20% dos crimes de autoria desconhecida são resolvidos. Segundo o levantamento, o número de casos do tipo vem aumentando. Nos quatro primeiros meses deste ano foram 4.531, contra 3.476, no ano passado, num crescimento de 30,35%.
De um ano para outro, o índice de casos resolvidos caiu de 23% para 20%. Este ano, 920 crimes foram esclarecidos, contra 805 no ano passado. Mesmo com o aumento de crimes, o número de investigadores manteve-se estável.
Entre as delegacias de Bauru, a que resolve mais casos é a DIG-Garra (Delegacia de Investigações Gerais-Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos). Este ano, foram 639 casos esclarecidos, contra 523 no mesmo período do ano passado, num aumento de 22,18%. Ainda assim, a polícia enfrenta uma grave falta de pessoal. A reportagem do Jornal da Cidade apurou que um estudo de 1991 sugere que a DIG de Bauru deveria ter 36 investigadores, hoje são apenas 14, menos que a metade.
Para o delegado titular da DIG, J.J Cardia, o aumento da eficácia das investigações comandada por ele deve-se ao investimento em tecnologia e ao treinamento dos policiais. Ele não quis comentar o défict de homens.
O delegado-seccional Antônio Ângelo Ciocca também não comenta a falta de policiais. Para ele, o trabalho da polícia é satisfatório. O nível tem melhorado. Estamos incrementando o setor de estatísticas. Com isso, podemos melhorar, descobrir em que ponto devemos evoluir, afirma.
De acordo com o delegado-seccional, o aumento do número de crimes atrapalha. Eu bato naquela tecla de que a polícia trabalha com as conseqüência e não com as causas, diz. Ele aponta a crise, o desemprego, a falta de iluminação pública e de pavimentação como as causas do aumento de crimes de autoria desconhecida.
O número de fatos tem aumentado e nós temos nos empenhado. Investigação é um trabalho difícil e demorado, pontua Cardia. De acordo com ele, um dos seus maiores objetivos é trabalhar com o policiamento preventivo. A recuperação de veículos em Bauru bate na casa dos 70%, mas só isso não nos interessa. Queremos impedir o furto, afirma.
Segundo o delegado, cada tipo de crime segue um percurso próprio. A única equipe fixa que ele mantém é a que investiga furtos a veículos. O delegado da DIG sustenta que graças ao trabalho preventivo o número de crimes não esteja em índices alarmantes. Ele aponta a fiscalização de desmanches, o registro de seguranças e empregadas domésticas como trabalhos de prevenção da delegacia. Desde que a DIG foi implantada em Bauru, há 12 anos, nós fazemos este trabalho de prevenção, defende.
Para Cardia, a fiscalização de estabelecimentos que vendem e fabricam fogos de artifício foi decisiva para que a cidade nunca tenha se deparado com nenhum acidente grave envolvendo explosivos.
Tecnologia
Um dos fatores que está contribuindo para a solução de crimes é a tecnologia. De acordo com Cardia, a polícia está buscando uma informatização cada vez maior, até para combater os crimes cometidos com ajuda da tecnologia.
De acordo com ele, um sistema de identificação de impressão digital está para ser implantado. Com a chegada da máquina, a Sony FU-500 será possível saber se uma pessoa está apresentando uma identificação falsa. Outro avanço já foi implantado, a recognição visuográfica, que recria a cena do crime, incluindo a temperatura do ambiente.
De acordo com o delegado, a região mais violenta de Bauru é a da Pousada da Esperança I e II. Esta semana, um homem foi morto durante a madrugada com quatro tiros.
Outras delegacias
Depois da DIG-Garra, com 639 casos de autoria desconhecida esclarecidos, a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) aparece com 152 casos, contra 84 no mesmo período do ano passado. Em seguida vem o 3º DP com 44 casos (17 no ano passado), 2.º DP com 38 (88 no ano passado), 1º DP com 27 (59 no ano passado), 4º DP com 11 casos (27 no ano passado) e, por último, a Delegacia da Mulher (DDM), com nove casos (sete no ano passado). Para o delegado-seccional, no entanto, não se pode falar que uma delegacia é mais produtiva que outra. Cada uma tem a sua função, afirma.