Apesar de pouco possuírem, os moradores de baixa renda costumam adotar a ajuda mútua como forma de minimizar a exclusão social em que se encontram. A dona de casa Jaqueline Moreira Nice, 21 anos, moradora do Jardim Nicéia, passa por essa experiência no momento.
Grávida de 4 meses, com uma filha de 1 ano e marido desempregado, Jaqueline está superando a fome com a ajuda da vizinha. Eles emprestam um pouco de comida e meu sogro traz leite para minha filha, conta, mostrando o armário vazio.
Jaqueline vive com a família em um barraco de três cômodos. Não há chuveiro e a água para o banho é esquentada a lenha, no quintal. A televisão, a geladeira, o tanquinho e os dois bicos de luz da casa são abastecidos com a energia do vizinho, que autorizou a gambiarra. Combinados de dividir a conta, explica.
No Parque das Nações, a dona de casa Angélica Aparecida de Jesus, 18 anos, conta com a solidariedade do vizinho para que a família tome banho e utilize o vaso sanitário. Não temos banheiro, explica Angélica, que mora em um barraco de dois cômodos com as duas filhas e o marido.
Além de banheiro, a família de Angélica não tem chuveiro, geladeira e ferro elétrico. A dona de casa reclama da vida sem luxo, mas acredita que poderia ser pior. Às vezes, acho ruim viver aqui, mas já acostumei com o lugar, fiz amigos. Agora, quero arranjar mais madeiras para aumentar a casa e assim, quem sabe, construir um banheiro, planeja.