09 de julho de 2026
Geral

Umesb constesta informação de monopólio de carteirinha

André Tomazela
| Tempo de leitura: 2 min

O diretor de Grêmios da União Municipal dos Estudantes de Bauru (Umesb), Edson Henrique Falcão de Lima, e o aluno do curso de Geografia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Alexandre Pereira de Bastos, constestam informação de que a União Nacional dos Estudantes (UNE) monopoliza a confecção de carteirinhas que concedem meia-entrada em Bauru. Segundo eles, a lei municipal 3.623, aprovada pela Câmara Municipal em 1993, permite que a Umesb, os CAs, DAs e DCEs confeccionem suas próprias carteirinhas de meia entrada gratuitamente. Segundo eles, os estabelecimentos que promovem eventos culturais são obrigados a aceitar a carteirinha dos CAs e DAs em função dessa lei municipal, ainda que a lei federal diga que as carteirinhas válidas são apenas as da Une e Ubes. Se um estudante for ao cinema com a carteirinha do CA, não pode ser barrado em função da lei municipal, comenta Edson.

De acordo com ele, é falsa a informação de que a UNE tem medo de perder afiliados e, consequentemente, a arrecadação. Não existe isso, não é filiação compulsória. A carteirinha não quer dizer que o estudante seja filiado à UNE. Qualquer estudante, tendo carteirinha ou não, é representado pela UNE. O maior papel da carteirinha é ser representativa e dar direito à meia-entrada, comenta Edson.

Outro ponto contestado foi o relacionado à falsificação de carteirinhas, mais especificamente sobre o caso do estudante que a teria falsificado, na Bahia. De acordo com Edson, é impossível falsificar uma carteirinha da UNE e o caso da Bahia ocorreu porque lá havia uma lei que autorizava a emissão de carteirinha pelos órgãos governamentais, como a proposta feita pelo vereador Rodrigo Agostinho, em Bauru. Carteirinha era vendida em praça pública e era muito fácil falsificar, comenta Edson.

Para Alexandre, a UNE tem um valor histórico muito grande que não pode ser manchado por um projeto de lei municipal, que tem o objetivo de acabar com a carteirinha da UNE e, consequentemente, com o movimento estudantil. Ele lembra que o direito à meia-entrada foi conquistado na década de 30 pela UNE e pela Ubes. Com a ditadura militar ambas as entidades perderam a legalidade. E a distribuição passou a ser feita pelos próprios órgãos governamentais. O resultado foi a não condição de fiscalização, que possibilitou a falsificação das carteiras e declarações escolares, o que causou o fim da meia-entrada, só reconquistada em 1992.

Alguns CAs e DAs, que são a favor do projeto de Agostinho, estariam lutando contra eles mesmo, segundo Alexandre. Eles lutam contra a UNE mas o repasse do dinheiro das carteirinhas tem quatro destinos. Uma parte vai para a entidade nacional (UNE), outra para a União Estadual do Estudantes (UEE), outra para o Diretório Central (DCE) e a quarta parte volta para os CAs e DAs, afirma Alexandre. Esse repasse ocorre segundo alguns critérios: o CA ou DA tem que estar registrado na UEE ou na própria UNE e estar em dia com a ata de eleição e ata de posse.