Reitores da USP, Unicamp e Unesp posicionaram-se contrários ao reajuste solicitado. Possibilidade de greve aumenta
Os reitores das universidades públicas do Estado de São Paulo - Unesp, USP e Unicamp - endureceram suas posições quanto às reivindicações feitas pelos professores universitários, em reunião realizada com representantes das associações de docentes, na sexta-feira, em Campinas. Os reitores negaram-se a aumentar o índice de reajuste salarial de maio, fixado em 6%. Em Bauru, será realizada uma assembléia conjunta, entre professores, funcionários e alunos, na quinta-feira, às 10 horas, na sala 1 do câmpus da Unesp. O objetivo é tratar da política salarial e de outras questões de interesse dos três segmentos do câmpus de Bauru, inclusive a possibilidade de greve, que aumenta frente à situação.
O presidente da Associação de Docentes da Unesp de Bauru (Adunesp), Norival Agnelli, lembra que a reivindicação de um reajuste salarial de 13,5% ainda está relacionada às discussões realizadas no ano passado, em que professores da Unesp solicitaram 25% de reajuste salarial no primeiro semestre de 2000 e 7% no segundo semestre. Para isso, houve uma greve de 52 dias no câmpus de Bauru.
De acordo com Agnelli, o total do reajuste obtido em 2000, somando alguns reajustes pontuais, foi de 24,5%. Isso praticamente atendeu aos 25% solicitados, mas ficou um resíduo de 7%, expõe.
Os 13,5% reivindicados atualmente são baseados no cálculo da inflação de maio do ano passado a maio deste ano. Teríamos que ter o reajuste da inflação de maio a maio, mais 5% para recuperar o poder aquisitivo do salário. Estamos utilizando o índice do Dieese, que é de 8,17%, somando os 5%, o que totaliza os 13%, esclarece.
Segundo informativo enviado à Adunesp de Bauru, a reunião realizada no dia 1.º de junho foi pautada por intransigência dos reitores, que recusaram qualquer aumento do índice de reajuste de maio, assim como a proposta de política salarial do Fórum das Seis, que reúne representantes das associações de docentes e funcionários das três universidades.
Além disso, dos 13 itens pautados para discussão na reunião, os reitores teriam negado-se a abordar 11 deles. Eles não quiseram discutir fórmula de política salarial, que poderia ser um reajuste a cada dois meses, de acordo com a arrecadação dos impostos. As questões sobre segurança no trabalho também não foram abordadas, afirmou Agnelli.
Representantes das Adunesps que estiveram na reunião, na última sexta-feira, avaliam a situação como sendo grave, exigindo dos docentes disposição de luta para manter a conquista da greve de 2000, ou seja, a política salarial.
Agnelli enfatiza que, diante da situação atual, a possibilidade de uma nova greve aumenta. Isso será discutido na assembléia de quinta-feira. Independente da posição da Adunesp de São Paulo, nós podemos tomar uma decisão local. No entanto, é provável que, até quinta-feira, nada ocorra. Mesmo que a Adunesp encaminhe indicativo de paralisação, nós vamos aguardar a assembléia, enfatizou.
A assembléia conjunta entre professores, funcionários e alunos da Unesp de Bauru deverá ser realizada na sala 1 do câmpus, na quinta-feira, às 10 horas.