Jaú - Para o delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Delegacia Seccional de Polícia de Jaú, prevenção e trabalho sério são as duas palavras-chaves que servem para explicar a baixa incidência de homicídios verificada na cidade nos últimos dois anos. O delegado, mais do que ninguém, comemorou a divulgação de uma pesquisa feita pela Folha de S.Paulo, que classificou Jaú como a cidade menos violenta do Estado de São Paulo, entre aquelas que possuem mais de 100 mil habitantes.
Para chegar a esse resultado, foi feito um cruzamento de informações entre as vítimas de agressões fatais apuradas pela Fundação Seade com as populações dos municípios, contadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa informação foi muito bem recebida, pois é o resultado de um trabalho muito sério que estamos desenvolvendo na cidade, comemora Valencise. Segundo ele, há cerca de dois anos a polícia iniciou um trabalho de prevenção que tem-se mostrado bastante eficiente no combate ao crime.
Foi feito um levantamento dos principais locais onde a incidência de crimes era maior dentro da cidade. Eles passaram a receber atenção redobrada da polícia e alguns bares tiveram que baixar as portas mais cedo. Valencise lembra que esses locais serviam basicamente para reunir grupos de pessoas que bebiam além da conta e passavam a representar uma ameaça à sociedade.
Além do problema gerado pelo excesso de bebidas alcoólicas, ingeridas pelos seus freqüentadores, Valencise informou que alguns desses bares serviam também como ponto de compra e venda de drogas. Por muito tempo, Valencise comandou a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Jaú.
O combate ao porte ilegal de arma foi outra bandeira levantada pelo delegado. Conseguimos controlar a violência na cidade, afirmou. De acordo com a pesquisa, Jaú apresenta uma média anual de 3,6 homicídios por 100 mil habitantes. Bauru aparece em sétimo lugar com uma média de 9,8 homicídios para cada 100 mil habitantes.
O primeiro lugar que Jaú ocupa hoje, na classificação de menos violenta em todo o Estado, é uma conseqüência desse trabalho eficiente e sério desenvolvido pelas polícias Civil e Militar, na cidade, na opinião do delegado.
Valencise aproveitou para destacar a importância da participação da comunidade para que essas iniciativas alcançassem um resultado positivo. Para o delegado, essa participação foi e continua sendo decisiva, pois facilita o trabalho de prevenção e de combate ao crime.
A participação do delegado nas operações policiais é encarada por Valencise como fator de estímulo ao demais policiais. Embora esteja atualmente ocupando uma posição mais burocrática, Valencise garante que não dispensa uma boa oportunidade de sair às ruas para ajudar a polícia a cumprir seu papel. Ainda mais agora que a pesquisa colocou Jaú no ponto mais alto do pódio das cidades menos violentas.
Mais violentas
Entre as cidades com maior índice de violência aparece, em primeiro lugar, Diadema, com 108,9 homicídio por 100 mil habitante; na seqüência vêm Embu (91,9), Itapecerica da Serra (85,2), Praia Grande (84,5), Barueri (76,0), Itapevi (75,7), dentre outras.
Já entre as menos violentas, logo depois de Jaú, vêm Franca (5,9), Barretos (6,7), Guaratinguetá (7,7), Catanduva (8,5), Mogi-Guaçu (8,9), Bauru (9,8), Bragança Paulista (10,4) e Presidente Prudente, com 10,6 homicídios a cada 100 mil habitantes.