07 de julho de 2026
Geral

Campanha do agasalho é questionada

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O Executivo indicou, ontem, que iniciará sindicância para apurar se houve irregularidade na triagem das roupas

A campanha do agasalho deste ano pode ser investigada através de sindicância administrativa. A secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Sandra Scriptore, disse, ontem, que enviou ao prefeito Nilson Costa (PPS) um relatório com as informações colhidas em denúncia feita pelo vereador João Parreira de Miranda (PSDB) em relação a favorecimento na triagem das roupas. A secretária pediu que o Executivo tomasse as providências cabíveis. A Prefeitura indicou que deve abrir sindicância, embora o prefeito Nilson Costa (PPS) não considere que há irregularidade.

O assunto foi levantado pelo vereador João Parreira. Ele recebeu a informação de que uma mulher estava fazendo a separação privilegiada de roupas arrecadadas da população. O vereador contatou a secretária Sandra Scriptore e foi até o local de separação das roupas verificar a denúncia. No local, Parreira conversou com dona Eva, representante de uma entidade na cidade. Ele verificou que esta senhora, junto com um grupo de voluntários, realizava a separação de roupas em melhor estado, enquanto que outras voluntárias realizavam a mesma triagem sem qualquer distinção na qualidade do material.

O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, não concordou com a colocação. Ele argumentou que o trabalho ainda estava na fase de separação e que o objetivo final seria o mesmo: a entrega das roupas para a população carente. Entretanto, a secretária Sandra Scriptore avaliou que, naquele instante, não estava correta a separação em particular para uma representante de entidade. No momento da triagem a escolha em separado para uma entidade não poderia ter ocorrido. Diante da informação do vereador nós determinamos que o processo de separação fosse recomeçado, sanando o problema pontual. A prioridade da campanha são as favelas, os bolsões de miséria. Então, não poderia haver outro critério inicial a não ser separar primeiro roupas para esses locais. Depois, do restante das doações é que seria feito distribuição para entidades, mesmo assim conforme listagem que já temos há alguns anos, com alguns ajustes, explicou a secretária.

Para ela, porém, a campanha como um todo vai apenas atrasar um pouco, sem prejuízo para seu objetivo, que é atender a pessoas carentes nesta época do ano. A secretária disse que relatou a situação para o prefeito municipal. Ela considera que o problema verificado na separação ocorreu sem intenção de favorecimento. Para o vereador João Parreira, sua ação fiscalizadora atingiu o objetivo. Nós impedimos que a população das favelas recebesse roupas em condições diferentes do que estava sendo separado por aquela senhora. Se a campanha ia atender primeiro as favelas, as roupas separadas por aquela senhora, que eram as melhores, não iam chegar a quem mais precisa. E sabe lá para onde ia essa roupa. Nós levantamos o problema e impedimos que o fato acontecesse, avaliou.

O líder do prefeito na Câmara, vereador Milton Dota Jr. (PPS), atribuiu a questão a um contratempo, que foi contornado com facilidade. O importante é que as favelas já começaram a receber as doações e até as primeiras entidades. Um fato isolado não pode prejudicar que quem precisa fique sem as roupas nesta época do ano.