Ontem, quando cheguei em casa e abri a correspondência da CPFL, que estabelece minha meta de consumo e explica as sanções a que estarei sendo submetida caso não as atinja, fiquei indignada. Já solicitei a revisão de minha meta, pois minha família aumentou após o período usado para o cálculo da média, e, conseqüentemente, meu consumo também. Mas isso não vem ao caso. Sempre paguei corretamente a conta de energia e tenho certeza que não cometo abusos pois esse pagamento é feito com meu salário, que por conta do governo FHC e sua política salarial (ou a falta desta) já está racionado, congelado e arrochado há mais de cinco anos.
Mas o que me indignou mesmo foi a sensação de estar em cárcere privado, ou em liberdade vigiada. Esse governo agora quer determinar o que eu posso ou não fazer dentro de minha casa. Com sua política de priorizar única e exclusivamente o pagamento da dívida externa, e de fazer reserva de caixa para pagamento de deputados e senadores para impedir a instalação de CPIs, deixou de cuidar de outras coisas, entre elas, da energia.
O País, como dizia meu saudoso pai, está degringolado. Não temos acesso à saúde, à educação, ao transporte, não temos nada. E somos chamados o tempo todo a dar uma parcela a mais de sacrifício para passar por mais esta crise.
Tenho cá para mim que toda esta catarse sobre a energia é o mote deste governo para agora privatizar a geração. Não bastassem todos os exemplos das privatizações irresponsáveis e entreguistas já ocorridas. Mas, atendendo ao apelo, ontem mesmo já dei uma economizadinha, quando FHC tentou entrar na minha sala, sem bater nem pedir licença. Mais que rápido, saquei o controle remoto, e clik apaguei ele.
Por tudo que tenho vivido, sou obrigada a concordar com o Ziraldo: Safadeza não tem cura, e se tem, pouco dura. (Tatiana Virginia Calmon Borges - RG. 12.172.323)