Domingo pela manhã, Ademir da Guia, o Divino, 59 anos, como é conhecido pelos apaixonados pela bola e, principalmente, pela torcida do Palmeiras, esteve no Sesc para dois eventos. Às 9h30 ele fez uma saudação aos 500 atletas na abertura da Copa Sesc de Futsal Infantil, torneio que tem mais de 20 anos de tradição na cidade e, logo após, às 10 horas, autografou o livro de autoria de Kleber Mazziero de Souza, pesquisador jauense que relata a saga dos Da Guia. Acompanharam Divino na visita ao Sesc, sua esposa Sueli e o autor do livro. O ex-jogador afirmou ter ficado comovido com a recepção dos bauruenses no Sesc e disse que pretende voltar à cidade para prestigiar os Jogos Regionais, que serão realizados em julho.
Esteve presente também na manhã de autógrafos do livro, o ex-jogador Baroninho, que jogou com Divino no Palmeiras em 1979. Baroninho foi também campeão do mundo pelo Flamengo, em 1981.
Ademir da Guia é um dos poucos jogadores brasileiros que figuram na galeria dos gênios imortais da bola. Com uma vida nos gramados quase sempre dedicada ao Palmeiras, hoje existe um busto em sua homenagem no Parque Antártica, onde atuou de 1962 à 1977, o Divino conquistou o respeito até dos torcedores adversários com seu estilo próprio e elegante de jogar. Divino não era força, era jeito. Não era velocidade, mas suas passadas encurtavam o caminho e ele estava com sua inteligência sempre onde era preciso. Ele parecia estar em todos os lugares do campo, diz o ex-atacante Leivinha, companheiro de Ademir no Palmeiras e na seleção que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha.
Aliás, o livro, intitulado Divino - A vida e arte de Ademir da Guia, conta com detalhes a polêmica substituição de Ademir na Copa de 74, além de muitas outras histórias de seus 20 anos de carreira no futebol. Com prefácio do também ex-jogador Sócrates, este, craque rival do Corinthians, o livro foi dividido em três partes (primeiro tempo, intervalo e segundo tempo) e dez capítulos (número da camisa do jogador).
Com uma pesquisa minuciosa, no primeiro tempo do livro o autor narra a saga do clã Da Guia no futebol. A pedido Ademir, a obra de Mazziero relata a carreira do pai, Domingos da Guia, passa pelas carreiras dos tios Médio, Ladislau e Luís Antônio, que têm história no futebol dos anos 30. Médio e Ladislau foram campeões pelo Bangu, em 1933, e termina com Ademarzinho, que segundo o pai Já tem a pinta de um craque.
No intervalo há dois capítulos onde Divino fala sobre futebol e sobre sua vida. No derradeiro segundo tempo, o livro narra a carreira vitoriosa de Ademir dentro do Palmeiras, onde foi maestro de duas Academias, e na seleção, onde infelizmente não teve o merecido destaque.
O futebol brasileiro, em toda a sua trajetória, nos ofereceu centenas de grandes bailarinos que com suas coreografias encantaram o mundo. Da Guia foi um deles. Talvez o maior neste quesito, escreve Sócrates no prefácio do livro.O AUTOR - Kleber Mazziero de Souza não é escritor ou jornalista. É maestro. Mas já escreveu outra biografia de jogador, Prezado Amigo Afonsinho, sobre o craque do Fluminense do Rio de Janeiro, conhecido por seu posicionamento político, o que lhe rendeu a alcunha de Afonsinho, o vermelho, além da música de Gilberto Gil em sua homenagem, que dá título ao livro. É autor do CD Música de Preto e de três CDs da série de música clássica intitulada A Música de Câmara de Kleber Mazziero de Souza.