A sabedoria popular é rica como o que - a despeito da simplicidade própria que lhe é peculiar - sempre faz por encontrar (em certos momentos de maus ventos) um lenitivo capaz de tergiversar, pondo em escanteio os maus fluidos por ventura reinantes.
É exatamente o procedimento de grande parte dos brasileiros, em face dos problemas energéticos que assolam o País e que vimos enfrentando. Contudo (e de certa forma ameaça até a meter a mão em nossos bolsos), não obstante, encontram um sem número de argumentos - a maioria deles de fundo jocoso - visando driblar os acontecimentos hora reinantes, tal como o que se propaga como o famigerado apelido de apagão. Expressão que certamente - se ocorresse nas proximidades do período carnavalesco, em tempos passados - serviria de importante assunto de modinha carnavalesca, pois que não lhe faltaria rima.
A bem da verdade, o que se entende é que o governo atual não é o único responsável pelo sistema energético que atualmente temos. Como se sabe, o problema vem sendo preterido há cerca de 30 anos e desde 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso. Assim, o que lhe cabe nas atuais circunstâncias - segundo se supõe - é total e unicamente, administrar a busca de meios contra o caos eletricitário em que vivemos. Usar mão forte na busca e aplicação de meios eficientes, encarando o descarte capaz de livrar o País do apagão, na certeza de abater o problema no nascedouro, isto é, livrando o Brasil do pior, que ainda pode vir.
O retrato da situação atual, entretanto, não nega as responsabilidades dos órgãos aos quais foram confiadas as atividades de comando específico. Estas, em geral distribuídas - na maioria das vezes - pelos governos sob obrigatoriedade político/partidária. Hábito adotado pelos governos (remanescentes da ditadura), nos últimos 30 anos.
Paralelamente, a mídia traz à tona notícias do exagerado consumo de energia elétrica, atribuídos a órgãos públicos (quando comparados aos gastos dos cidadãos), mostrando- se drasticamente oneroso à pátria. Apenas como exemplo, a liderança no consumo de energia elétrica das Forças Armadas, no ano passado, atingiu a despesa de R$ 346,3 milhões; enquanto o Ministério da Fazenda (colocado em 5º lugar), gastou R$ 19,8 milhões.
Enquanto isso, como tudo serve de piada no Brasil, aceitamos piamente a afirmativa através da qual abrimos a coluna no artigo presente, nos opomos aos atuais absurdos inoportunos que seguem. Senão, vejamos: 1) Sérgio Naya acaba de ser absolvido e os moradores do edifício Palace 2 fazem protesto público, no Rio de Janeiro e em São Paulo, contra a decisão do Juiz da 33ª Vara Criminal. 2) O Sindicato dos Bancários e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), como que se deleitam no embalo de um suposto insulto público de falso carnaval fora de hora, no centro de São Paulo, em protesto contra o governo e a crise energética. Atores e demais presentes (seminus), se manifestam utilizando-se da simulação de banho brasileiro por R$ 1,99. Em triste verdade, a referida manifestação esteve mais para a gozação do que para protesto popular, praticado por cidadãos, talvez ansiosos por aparecer. Como nas avenidas centrais de São Paulo vale tudo..., ninguém mais se envergonha de nada, até mesmo de vir a ser mais um assaltado. 3) Os estudantes de Bauru com apoio das Diretorias da USC... prometeram e foram à Câmara para discutir, (imaginem o que) o veto do prefeito Nilson Costa ao projeto que libera o acesso à meia-entrada em espetáculos culturais... Um assunto que certamente teria sensibilizado o vereador Rodrigo Agostinho, autor do importante projeto de lei à Câmara. Feliz e inteligentemente, entretanto, a Câmara manteve o veto do prefeito Nilson Costa por 11 a 10.
Apostando em que há males que vêm pra bem, de uma coisa estamos certos. Já começamos a aprender a economizar energia elétrica, não somente administrando nosso particular consumo diário. E também, evitando manter acesas: lâmpadas em espaços da casa onde não haja ninguém, muito menos permitindo que televisão, aparelhos de som e de brinquedos eletrônicos sejam abusivamente usados ou esquecidos ligados. Quanto aos que mantêm proles em casa (mesmo pequenas), convém criar neles uma saudável forma de vida, ao sabor da utilização programada de brinquedos, de preferência instrutivos. - Fico por aqui.