Sindicato dos Panificadores diz que aumento da farinha provocado pelo dólar e crise energética são responsáveis
Se a atual conjuntura econômica, com alta do dólar e racionamento de energia, persistir, o pãozinho francês deve ter alta. Para Evaristo Rodriguez Gonzalez, presidente do Sindicato da Indústria da Panificação de Bauru, o valor pode acabar chegando a uma variação entre R$ 0,15 e R$ 0,20, por conta do encarecimento da matéria-prima e dos insumos.
De acordo com ele, o Brasil importa 80% do trigo consumido, que é cotado em dólar. Ele lembra que, nos últimos meses, a alta da moeda norte-americana está influenciando um aumento no preço da matéria-prima, a farinha de trigo, que já teve alta de 30% a 35%, nos últimos 40 dias. O fermento já teria aumentado, também.
Além disso, cerca de 80% das empresas têm fornos elétricos, o que deve trazer mais problemas. Para ele, a questão energética do País, se não houver alterações, vai acabar influenciando os aumentos de preços do setor. Segundo Gonzalez, as panificadoras, que estão na ponta, vão apenas refletir as altas que ocorrerem e influenciarem o processo produtivo. Se a pressão dos moinhos em relação à farinha continuar e o preço subir, não haverá outra saída a não ser repassar para o preço final. Não é nossa vontade, mas se não fizermos isso, fica difícil a sobrevivência, afirmou, ressaltando que não quer que o panificador fique como o responsável pelos possíveis aumentos de preços.
Em Bauru, o valor do pão já está variando entre R$ 0,10 e R$ 0,17 nas panificadoras. Gonzalez disse que as padarias estão passando por um período especialmente difícil, por terem fornos elétricos. Algumas já estão tentando comprar fornos a gás. Porém, ele acredita que poderão ter dificuldades de recebimento dos novos equipamentos, em razão da alta demanda.
O sindicalista lembra que as empresas passaram por diversas fases, nas quais acabaram sendo incentivadas aos fornos elétricos, quando o kiloWatt/hora utilizado na madrugada era mais barato. Com os problemas energéticos, as dificuldades estão aumentando.
De acordo com ele, 10% das padarias ainda têm forno à lenha, pois contam com sistema antigo. Outros 10% têm fornos a gás. Os outros 80% estão em estado de alerta, pois contam com o forno elétrico.