Movimento foi articulado em todo Estado para chamar a atenção do governo; na região, 21 ficaram sem trabalhar
Os procuradores do Estado de São Paulo fizeram uma paralisação ontem. Na região de Bauru, 21 procuradores não trabalharam. O movimento pede dignidade para a advocacia pública e a valorização da Procuradoria Geral do Estado.
Um documento elaborado pelos procuradores foi entregue ontem para os deputados estaduais da região, prefeito de Bauru, Nilson Costa (PPS), juízes, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e presidência da Câmara.
Com a paralisação de ontem, pelo menos cem pessoas deixaram de ser atendidas pela assistência cível e 30 pela criminal. O procurador Roberto Mendes Mandelli Júnior, diretor local do Sindicato dos Procuradores do Estado, das Autarquias, das Fundações e das Universidades Públicas do Estado de São Paulo (Sindiproesp) avalia que uma paralisação mais ampla não está descartada, mas é pouco provável, pela importância da atuação dos procuradores para a sociedade.
Os procuradores reclamam de deficiência material e humana. Segundo Mandelli Júnior, dos 1,5 mil cargos de procuradores, apenas 800 estão ocupados. Ele também reclama dos salários sem reajuste há sete anos, equipamentos de informática obsoletos e a falta de apoio para viagens a trabalho, para as quais os procuradores têm que pagar a gasolina e o pedágio do próprio bolso. A procuradoria é o escritório de advocacia do Estado. O que está acontecendo é um sucateamento e a sociedade paulista precisa tomar conhecimento do que está se passando, afirma o procurador.
A Procuradoria Geral do Estado é integrada por advogados aprovados em concursos públicos e tem três missões constitucionais: defender judicialmente os direitos dos mais pobres, representar o Estado em juízo e cuidar do respeito à legalidade dos atos da administração pública.
Segundo a procuradora Nilvana Busnardo Salomão, entre 80 a 90% dos processos criminais em Bauru são defendidos por procuradores. Com a queda do poder econômico, temos muitos réus de classe média que não podem pagar advogado, afirma. De acordo com ela, o único serviço de assistência criminal gratuito oferecido na cidade é feito pela Procuradoria.