10 de julho de 2026
Geral

Região recebeu investimentos de US$ 458 milhões em 2000

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

De acordo com uma pesquisa da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), a região de Bauru recebeu investimentos privados da ordem de US$ 458 milhões, no ano passado. O montante significa 2% do total aplicado em todo o Estado de São Paulo, que teve investimentos de US$ 23,7 bilhões. Esse volume é 6% superior aos US$ 22,3 bilhões registrados em 1999.

Do valor total do ano passado, US$ 5,9 bilhões (25%) foram destinados aos municípios localizados na Região Metropolitana de São Paulo. Juntas, as cidades do Interior paulista receberam US$ 11,7 bilhões, o que corresponde a 49% do total.

A pesquisa também revelou que os investimentos destinados ao setor industrial somaram US$ 14,6 bilhões, o que representa 62% do total. Em relação a 1999, quando os recursos somaram US$ 13,65 bilhões, houve um crescimento de 7%. O segundo setor que mais teve investimentos foi o de serviços, com 35% ou US$ 8,4 bilhões (5,16% superior em relação a 1999). O comércio recebeu investimentos de US$ 648,8 milhões, sendo apenas 3% da totalidade, e 13,1% a mais que em 1999.

De acordo com a avaliação da Fundação Seade, os dados coletados pela pesquisa estão de acordo com a tendência já verificada em outros estudos e levantamentos, que apontaram para uma participação crescente dos municípios do Interior na atividade econômica do Estado de São Paulo, principalmente no setor industrial. As razões para isso seriam a infra-estrutura de transportes e telecomunicações do Interior, associada à existência de uma rede de cidades de médio e grande porte que apresentam oferta de mão-de-obra qualificada, centros universitários e de pesquisa de nível internacional, qualidade de vida e potencial de consumo.

A Fundação Seade divide os municípios em três blocos, classificando-os em relação à capacidade de atração de investimentos. No primeiro bloco estão as regiões com elevada capacidade de atração (acima de US$ 500 milhões). No segundo, as que têm média capacidade (entre US$ 100 e US$ 500 milhões). No terceiro bloco, as regiões com baixa capacidade (abaixo de US$ 120 milhões).

A região de Bauru está no segundo bloco, ao lado das regiões de Araçatuba, com US$ 215,5 milhões (1%), e de Ribeirão Preto, com US$ 102,5 milhões (0,4%). No primeiro bloco, ficam a Região Metropolitana de São Paulo, com US$ 5,9 bilhões (25%); a de São José dos Campos, com US$ 4,3 bilhões (18%); a de Campinas, com US$ 3,8 bilhões (16%); a região central - Araraquara e São Carlos -, com US$ 1,1 bilhão (5%); a região metropolitana da Baixa Santista, com US$ 834 milhões (4%), e a região de Sorocaba, com US$ 651 milhões (3%).

No terceiro bloco estão as regiões de Presidente Prudente, Marília, São José do Rio Preto, Franca, Barretos e Registro.

Apesar da Região Metropolitana de São Paulo ter recebido o maior número de investimentos em 2000, em relação ao ano anterior houve uma queda de 31%, enquanto que os municípios do Interior apresentaram aumento de 25%. Porém, segundo os analistas da Fundação Seade, aquela região continua a ser o centro dinâmico da atividade econômica paulista e brasileira, seja pela força de atração de seu poderoso mercado consumidor, seja pela existência de uma sofisticada e densa rede de serviços e atividades industriais, seja porque a Capital paulista é o grande centro de tomada de decisões econômicas do País. Pesquisa recente do grupo norte-americano Cushman & Wakefield, feita no ano passado com 504 executivos do primeiro escalão de empresas da Europa, mostra que São Paulo é a cidade preferida para receber investimentos europeus, nos próximos cinco anos.

O fato novo registrado no plano da distribuição regional dos anúncios de investimento do ano 2000 é que, pela primeira vez nessa pesquisa, uma região que não faz fronteira à Grande São Paulo, que é a região central - Araraquara e São Carlos - aparece entre as quatro principais regiões do Estado em volume de investimentos anunciados, respondendo por 4,6% do total estadual.

Participação pequena

Para o economista e consultor de empresas Carlos Roberto Sette, a região de Bauru ter representado apenas 2% do total investido no Estado é muito pouco. Esse percentual teria que ser muito maior, porque a região tem totais condições de alcançar um resultado mais expressivo, tem potencial para isso. Mas, a expectativa é de crescimento desse percentual para os próximos anos. Tudo aponta para esse resultado, afirma. Segundo Sette, alguns investimentos privados registrados na região de Bauru no ano passado teriam vindo das privatizações nos setores de telecomunicações e eletricidade.

Para o economista, a indústria de alimentação da região tem feito grandes investimentos em equipamentos e qualidade. Em Bauru ele destaca a Sukest, Mezzani e a Danone, entre outras. Marília, Lençóis Paulista e Lins (onde está instalado o Frigorífico Bertin, que é um grande exportador). Nessas cidades, tem sido registrado um volume muito grande de investimentos na indústria alimentícia e no comércio. Algumas grandes redes, inclusive internacionais, que começaram a se instalar, fortaleceram a concorrência e fez com que todas as outras redes da região investissem no seu próprio negócio, observa o economista.

Sette também destaca a atuação do setor gráfico, que é muito forte na região de Bauru. Ele cita que as gráficas da cidade e de outros municípios estão investindo pesado em equipamentos e melhorando sensivelmente a qualidade dos serviços. O setor metalúrgico também é destacado pelo economista. Segundo Sette, entre as três grandes fábricas de baterias automotivas de Bauru, são produzidas de 220 mil a 250 mil baterias por mês.

No setor comercial, o economista e consultor destaca o surgimento de shoppings centers na região e os investimentos no setor de franquia (alimentação, escolas de idiomas, cosméticos, academias etc). Sette cita, também, investimentos em projetos de qualidade e produtividade, em busca das certificações como a ISO 9000.

No setor de serviços, o economista destaca os segmentos de vigilância e segurança patrimonial, limpeza, transporte e de alimentação.

Competitividade

Para o diretor estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Marques Coube, o fato do setor industrial ter ocupado posição de destaque, conforme mostrou a pesquisa, é normal e conseqüência de uma série de vantagens competitivas explícitas. Em São Paulo é onde se encontra a mão-de-obra mais qualificada, a melhor logística de distribuição, o melhor mercado, entre outras vantagens. Então, esse resultado é totalmente justificável porque a indústria demanda muito desse tipo de recursos. Esses três que eu citei são os principais que norteiam a política de investimentos de empresas e grupos, diz.

De acordo com Coube, o montante total de investimentos direcionados à indústria no ano passado é relevante e mostra a importância do Estado de São Paulo para o País, nesse contexto. O diretor estadual do Ciesp destacou a atuação e a importância de indústrias localizadas em Bauru e em cidades da região, como Marília e Lençóis Paulista, e diz que existem perspectivas futuras muito boas de desenvolvimento.