Dos 65 km de interceptores necessários para despoluir os rios de Bauru, 18 km estão instalados. DAE promete mais investimentos
Para despoluir completamente a Bacial, do rio Bauru, que no trecho urbano é um rio morto, é preciso instalar 65 quilômetros de interceptores de esgoto (tubulações que evitam o despejo do esgoto no rio. Até agora, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) já construiu 18 quilômetros de interceptores de esgoto.
Em breve, como o JC informou na semana passada, o DAE vai implantar mais 450 metros de rede interceptora de esgoto às margens do rio Bauru. Também já está em estudo a instalação de interceptores em um dos córregos da Bacia, dando sequência ao plano da autarquia de despejar os efluentes fora da área urbana o mais depressa possível.
Atualmente, os córregos Água do Castelo, Barreirinho, Água Comprida, Córrego das Flores e Vargem Limpa já possuem interceptores parcial ou integral. Já o rio principal da bacia, o rio Bauru, possui interceptores na área central, mais propriamente junto à avenida Nuno de Assis.
Estudos contratados pelo DAE indicam a necessidade de coleta dos efluentes, conduzindo-os para fora da área urbana, na jusante do rio Bauru, bem como a construção de uma única estação de tratamento de esgoto nas proximidades do limite territorial com o município de Pederneiras, de acordo com a decisão tomada na audiência pública realizada em outubro de 2000. Segundo a diretora do serviço de tratamento de esgoto do DAE, Giselda Passos Giaferis, o estudo feito pela Serviço de Engenharia Consultiva S/C, definiu numa segunda audiência pública que o processo de tratamento viável para Bauru é o reator anaeróbio de fluxo ascendente, seguido de filtro biológico aerado, sendo que este processo proporcionará uma redução da demanda bioquímica de oxigênio- DBO - ou seja, redução da carga ou matéria orgânica suficiente para modificar os índices de qualidade da água do rio Bauru.
Dentro da estratégia de trabalho adotada pelo presidente da autarquia, Dudu Ranieri, a construção de interceptores de esgoto é o primeiro passo para concretizar o tratamento. Assim, investimentos do DAE estarão direcionados a reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA) da cidade e a construção desses interceptores. Além de recursos próprios, Dudu e o prefeito Nilson Costa estão pleiteando verba não onerosa, isto é, a fundo perdido, junto ao Governo Federal, mais propriamente à Secretaria de Desenvolvimento Urbano, SEDU, a fim de aplicá-la integralmente na implementação dos interceptores e na construção da Estação de Tratamento de Esgoto do município.
Trata-se de um projeto monumental que envolverá recursos na ordem de R$ 50 milhões, não considerando os 18 quilômetros de intercepção já realizados pela autarquia. Segundo Dudu, trata-se da obra pública mais complexa e onerosa que o município terá que executar mas cujo alcance social, sanitário e ambiental justifica sua integral realização. Para Dudu, somente a descarga dos efluentes fora da área urbanizada já significará um grande avanço em termos de saneamento para os munícipes.
Além do processo de saneamento, alguns trechos de córregos localizados em áreas despovoadas poderão sofrer projetos de recuperação da mata ciliar proporcionado a formação de áreas de preservação coerente dos mananciais que atravessam a cidade. Na visão de Dudu Ranieri e dos técnicos do DAE, Bauru estará se equiparando a cidades do primeiro mundo que conseguem, hoje, aliar saneamento básico com preservação ambiental.